Voluntários resgatados na Somália chegam à base da Otan na Sicília

Trabalhadores foram libertados de sequestradores somalis na terça, em uma operação com o mesmo comando que matou Osama Bin Laden

iG São Paulo |

Os trabalhadores humanitários libertados de sequestradores somalis na terça-feira em uma operação dos comandos Seals dos Estados Unidos chegaram nesta quinta-feira a uma base da Otan na Sicília, informou um funcionário público americano da Defesa.

Leia também: Somalis sequestram funcionários de organização humanitária

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Fotos cedidas pelo Danish Refugee Council mostra Poul Thisted e Jessica Buchanan

O dinamarquês Poul Thisted, 60 anos, e a americana Jessica Buchanan, 32, voluntários da organização Danish Demining Group, que pertence ao Conselho Dinamarquês para os Refugiados (DRC) especializado em operações de retirada de minas, tinham sido sequestrados no dia 25 de outubro em Galkayo, na região autoproclamada como semiautônoma de Galmudug.

Os dois ex-reféns libertados em uma operação dos comandos, que foi decidida a partir de informações obtidas sobre a deterioração da saúde de Jessica, se encontram em trânsito na base da Otan de Sigonella, na Itália.

"Eles ainda estão juntos. Buchanan se reencontrou com seu pai e seu marido", disse o funcionário sob condição de anonimato. Seu destino final não foi especificado.

As forças de operações especiais dos Estados Unidos pousaram de paraquedas a partir de aviões nas primeiras horas de quarta-feira, e então foram a pé até um complexo onde os dois sequestrados estavam reféns e os libertaram, informaram agentes americanos.

Os nove homens armados que mantinham os trabalhadores voluntários no local foram mortos.

O presidente Barack Obama telefonou a John Buchanan, pai de Jessica, para dizer que sua filha tinha sido libertada. "Ele disse para mim: 'John, aqui é Barack Obama. Estou ligando porque tenho ótimas notícias para você. Sua filha foi resgatada por nossos militares'", contou Buchanan. Ele acrescentou que Jessica está bem, dentro do possível.

O governo de transição somali recebeu bem a operação militar americana nesta quinta-feira, informou a CNN. O resgate dos trabalhadores humanitários "é uma grande alegria para o governo somali e para todos a população", informou em comunicado.

"Atingir com força é a única linguagem entendida por sequestradores de pessoas inocentes, piratas e terroristas, e cada oportunidade deve ser levada em conta para varrer essa praga de nosso país".

AP
Ao lado de Michelle Obama, presidente Barack Obama telefona a John Buchanan para informar que sua filha, Jessica, havia sido libertada
O novo enviado das Nações Unidas para a Somália - o primeiro representante permanente da ONU em 17 anos - também expressou compreensão em relação à operação militar. "Quando as negociações falham, todos os meios devem ser aplicados, inclusive as operações de resgate", disse Augustine Mahiga.

De acordo com a CNN, a irmã e o cunhado de Poul Thisted ficaram alegres quando souberam de seu resgate. "Ela estava muito feliz quando nos disse o que aconteceu", disse Rask, em referência à filha que deu a eles a notícia.

Operação

A unidade de forças especiais da Marinha dos Estados Unidos, Seal, responsável por matar Osama Bin Laden no ano passado no Paquistão, participou da missão de resgate sem especificar se os mesmos integrantes da operação contra o chefe da Al-Qaeda integravam a equipe desta vez.

O porta-voz do Pentágono, George Little, disse que a equipe de resgate incluia tropas de operações especiais de diferentes braços do Exército. Segundo ele, não houve sobreviventes entre os sequestradores e nenhum americano sofreu ferimentos.

A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que o país estava em contato próximo com a Dinamarca antes, durante, e depois da incursão. Jay Carner, porta-voz da Casa Branca afirmou que "decidiu-se prosseguir com a operação, porque havia uma preocupante informação sobre o delicado estado de saúde de Buchanan , assim como uma oportunidade para executar a missão".

Obama, que autorizou a missão às 21h de segunda-feira (0h em Brasília), foi atualizado sobre o progresso na operação durante toda a terça-feira. De acordo com a rede CNN, no discurso do Estado da União , feito pelo presidente americano, antes que as notícias sobre o caso tivessem sido divulgadas, Obama afirmou para o secretário de Defesa Leon Panetta. "Leon, bom trabalho essa noite. Bom trabalho essa noite".

Os ex-reféns estão a salvo, mas a missão não foi finalizada, porque a equipe americana não deixou a Somália até o momento, segundo informou George Little. Em comunicado, Obama agradeceu o trabalho da unidade de forças especiais por sua "extraordinária coragem e capacidade".

"Os Estados Unidos não vão tolerar o sequestro das pessoas, e não pouparão esforços para garantir a segurança de nossos cidadãos e tentar trazer seus sequestradores a Justiça", disse Obama.

Outro porta-voz do Pentágono afirmou que os sequestradores eram criminosos comuns. "Eles não eram parte do Al-Shabab", disse em referência a um grupo ligado a Al-Qaeda na Somália.

Com AFP

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