Volta parcial às aulas tenta devolver rotina ao México

Raúl Cortés. México, 7 mai (EFE).- O México deu hoje um novo passo rumo à normalidade com a volta às aulas para estudantes dos ensinos médio e superior e a reabertura de museus e centros esportivos, após quase duas semanas de ansiedade provocada pela gripe suína, que já matou 44 pessoas em todo o território mexicano.

EFE |

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.

Embora as autoridades digam repetidamente que é muito cedo para "cantar vitória", como o fez ontem o presidente mexicano, Felipe Calderón, o México aparentemente recuperou sua rotina, mesmo com a intensa presença de máscaras na paisagem.

Na Cidade do México, o principal foco da epidemia, as ruas voltaram hoje a receber o trânsito intenso provocado pelo retorno às aulas, que se completa na segunda-feira com a volta das atividades das escolas de ensino fundamental.

Na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), dezenas de milhares de estudantes encheram esta manhã o campus do sul da cidade, depois de as equipes de limpeza terem desinfetado as salas de aula, onde não faltam máscaras e mensagens de instrução dos professores.

Além disso, ao entrar em cada faculdade, funcionários da UNAM entregam aos estudantes um folheto informativo, um questionário sobre sua saúde, gel antibacteriano e pastilhas de sabão.

Atos similares ocorreram nos 112 museus administrados pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH). Além das recomendações, se exige que os visitantes mantenham uma distância de 1,5 metro entre si e que não fiquem em grupos acima de 20 pessoas em uma única sala.

Ao apresentar o relatório diário sobre a epidemia, o ministro da Saúde mexicano, José Ángel Córdova, anunciou hoje que o número de mortos pela doença subiu de 42 para 44, mas disse que o aumento não deve ser motivo de preocupação, pois se trata de duas pessoas que faleceram antes do pico de mortes registrado no último dia 26.

Nas ultimas 24 horas, o número de casos passou de 1.070 para 1.204, o que significa que a "tendência de diminuição de casos, embora sem o desaparecimento destes, continua", acrescentou o ministro.

Córdova explicou que a capital mexicana apresenta 70% das mortes causadas pelo vírus, caso a referência seja o hospital no qual as vítimas faleceram.

Segundo o ministro, isto se deve em parte ao fato de que a Cidade do México concentra "as unidades de alta especialidade" do país, embora as estatísticas sobre o local de procedência dos mortos revele também que 23 deles viviam na capital.

No estado do México, que abrange a maior parte da periferia da capital, houve 11 vítimas da gripe.

A progressiva volta à normalidade também foi possível pela decisão da Prefeitura da Cidade do México de descer o alerta de saúde da cor laranja (elevado) para a amarela (médio).

Com isso, foi possível reabrir ao público hoje estádios e demais instalações esportivas, arena de touradas, cinemas e discotecas, embora com restrições.

Nos recintos destinados ao esporte, por exemplo, os espectadores devem entrar de forma ordenada para evitar aglomerações e a ocupação das arquibancadas será definida por grupos de familiares ou amigos, limitando a capacidade de público.

As instalações esportivas se somam aos quase 35 mil restaurantes da capital. Após sofrerem perdas estimadas em US$ 87 milhões de dólares, eles já funcionam plenamente e não a 50% de sua capacidade, como ocorreu ontem, quando reabriram suas portas.

No resto do México, que sofreu a crise de saúde em menor escala, as atividades se mantêm praticamente normais, exceto nos centros turísticos do Caribe e do oceano Pacífico, que funcionam parcialmente por causa da saída de turistas estrangeiros.

Recuperar a imagem perdida em nível internacional será agora uma das tarefas das autoridades e da sociedade mexicana, ao mesmo tempo em que não podem baixa a guarda perante uma epidemia que, mesmo possivelmente superada no futuro, não será esquecida por muitos cidadãos. EFE rac/bba

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