'Você matou meus irmãos, vou te matar', disse suspeito de ataque na França

Polícia afirma que Mohamed Merah, suposto autor de atentados contra escola e militares, filmou as ações e publicou imagens na web

iG São Paulo |

A polícia da França assistiu aos vídeos feitos pelo franco-argelino Mohamed Merah que registram os três ataques dos quais é suspeito, segundo informou o promotor antiterrorismo do país, François Molins. De acordo com ele, as fortes imagens foram publicadas na internet por Merah, acusado de atacar uma escola judaica e militares franceses , e que nesta quinta-feira foi morto por um franco-atirador.

Saiba mais: Veja cronologia dos ataques e do cerco a suspeito na França

AP
Bombeiros franceses partem após ação policial contra suspeito de ataques contra militares e escola judaica em Toulouse

Galeria de fotos: Veja imagens do terror na França

“Os vídeos são extremamente explícitos, como pudemos verificar ontem (quarta-feira)”, afirmou Molins. “Podemos vê-lo encontrando um soldado contra quem atira duas vezes, dizendo: ‘Você matou meus irmãos, vou te matar’”, acrescentou, referindo-se ao primeiro assassinato supostamente cometido por Merah, no dia 11 de março em Toulouse.

Segundo autoridades, o suspeito disse que os ataques foram cometidos para vingar crianças palestinas e punir a França por "crimes" cometidos na intervenção militar no Afeganistão.

Leia também: Suspeito foi morto por franco-atirador com tiro na cabeça

Outro vídeo mostra o ataque que matou dois soldados em Montauban. “É uma cena extremamente violenta, na qual ele foge em sua scooter enquanto grita ‘Allahu Akbar’ (‘Deus é Grande’ em árabe)”, contou Molins.

O promotor afirmou que a polícia também assistiu ao vídeo do ataque a uma escola judaica de Toulouse, que deixou quatro mortos. Molins acrescentou que todas as conversas entre os negociadores e o suspeito durante o cerco policial que culminou em sua morte foram gravadas e serão usadas no inquérito sobre o caso.

De acordo com o promotor, o suspeito foi morto quando tentava fugir ao pular da janela de seu apartamento, após um tiroteio de cinco minutos. "Fizemos tudo o que pudemos para prendê-lo com vida", disse Mollins.

Merah, 23 anos, alegou ter laços com a rede terrorista Al-Qaeda. Sete pessoas foram mortas na área de Toulouse em nove dias - três militares, um rabino e três crianças de uma escola judaica. De acordo com autoridades, Merah viajou para o Afeganistão e Paquistão para treinamento.

Eleição: Ataques e cerco policial podem beneficiar candidatura de Sarkozy

O Grupo de Inteligência SITE, que monitora mensagens de internet, informou nesta quinta-feira que um grupo jihadista menos conhecido reivindicou a responsabilidade pelos ataques na França. SITE disse que o Jund al-Khilafah (Soldados do Califado, em livre tradução), um grupo que também anunciou ser autor de ataques prévios no Afeganistão e Casaquistão, divulgou uma declaração afirmando que o "Yusuf da França" (referindo-se a Merah) liderou um ataque na segunda, dia dos disparos contra a escola judaica. Não há confirmação independente da alegação.

Previamente, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse em um discurso televisionado que tudo havia sido feito para levar Merah à justiça, mas tomou-se a decisão de que mais vidas não poderiam ser postas em risco. "Tudo foi feito para levar o assassino à justiça, mas era inconcebível arriscar vidas... já houve muitas mortes", afirmou após um encontro com seus ministros de Defesa, Justiça e de Relações Exteriores.

De acordo com o promotor, o atirador saiu de seu banheiro quando a polícia entrou no apartamento na manhã desta quinta-feira, disparando cerca de 30 vezes com uma Colt 45 e pulando a janela. Merah continou disparando até "ser atingido por um disparo da Raid (polícia de elite), que o matou com um tiro na cabeça", contou.

Erros de inteligência: Vigilância é questionada e governo fica na defensiva na França

Ele também acrescentou que o suspeito, que usava uma colete à prova de bala sob uma túnica, tinha coquetéis molotov e um estoque de munição disponíveis e houve um forte confronto antes de sua morte. Cinco membros do esquadrão de polícia francês ficaram feridos, afirmou, acrescentando que a polícia foi orientada a apenas disparar em autodefesa. De acordo com o jornal Le Monde, durante o cerco Merah disse aos negociadores que usou dinheiro de roubos para comprar as armas.

Ataque reivindicado

Vinculado à rede terrorista Al-Qaeda, o grupo Jund al-Khilafah reivindicou os ataques em um comunicado divulgado em sites habitualmente usados por grupos islamitas. "Os Soldados do Califado" comemoram a operação lançada por um dos "seus cavalheiros do Islã", que espalhou "medo nos corações dos inimigos de Deus".

"Um dos cavalheiros do islã, nosso irmão Yousef al-Faransi (como identificam Merah), lançou uma operação que abalou os pilares do sionismo e os cruzados no mundo todo ", disse a nota. O grupo exige que Paris abandone "sua tendência hostil contra o islamismo e a sharia (lei islâmica), porque essas políticas só trarão destruição e aflição".

"A responsabilidade é nossa nessas operações, e afirmamos que os crimes cometidos por Israel contra nosso povo nos territórios palestinos, principalmente em Gaza, não passarão sem castigo", acrescentou o texto.

Nesse sentido, advertem que os "mujahedin" vingarão "qualquer gota de sangue derramada injustamente nos territórios palestinos, Afeganistão e em todos os países muçulmanos".

Ouça em vídeo barulhos de disparo durante invasão policial:

Com AP, BBC e EFE

    Leia tudo sobre: françaescola judaicasarkozytoulousejudeus

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG