papel-chave - Mundo - iG" /

Vladimir Putin se torna primeiro-ministro com papel-chave

Vladimir Putin foi nomeado nesta quinta-feira primeiro-ministro, iniciando sua parceria com o novo presidente russo Dmitri Medvedev, que atribuiu a ele um papel-chave na gestão das relações políticas.

AFP |

A Duma, Câmara Baixa do Parlamento, aprovou por esmagadora maioria - com 392 votos dos 450 da assembléia - a candidatura do ex-presidente como chefe de Governo, com a única exceção dos comunistas (56 votos).

Em meio ao ambiente tranqüilo, o novo chefe de Estado, que havia indicado na quarta-feira Vladimir Putin ao posto de primeiro-ministro, pouco depois da cerimônia de posse no Kremlin, assinou o decreto de nomeação.

De maneira simbólica, Dmitri Medvedev foi à Duma no mesmo carro de seu futuro primeiro-ministro e apresentou pessoalmente sua candidatura.

"Como chefe do Governo, Vladimir Putin desempenhará um papel-chave na concretização dos objetivos que integram a estratégia de desenvolvimento da Rússia até 2020", ressaltou Dmitri Medvedev, em referência a um projeto que o próprio ex-presidente concebeu antes de deixar o Kremlin.

"Nossa parceria, nossa colaboração apenas será reforçada", acrescentou o novo primeiro-ministro, de 55 anos, que mantém sua força após oito anos à frente do Estado e com seu peso na vida política russa.

Vladimir Putin em seguida fez um discurso de política geral de mais de 45 minutos, mencionando a queda dos impostos, a luta contra a inflação - uma grande preocupação diante da escalada dos preços - e o aumento do salário mínimo.

Interrompido em diversas oportunidades por aplausos, prometeu que a Rússia se tornaria "nos 10 a 15 anos futuros" um dos líderes do mundo em termos de qualidade de vida.

Putin, que já foi primeiro-ministro entre agosto e dezembro de 1999 antes de chegar ao Kremlin, defendeu o "fortalecimento da liberdade de empresa" no país e se disse "certo de que a Rússia se tornará um dos principais centros financeiros do mundo".

Insistindo particularmente no tema economia, pediu a "redução do fardo fiscal" para "estimular o clima des investimentos".

Ele prometeu principalmente estimular a produção de petróleo reduzindo os impostos no setor e estabeleceu como objetivo "colocar a inflação abaixo dos 10% nos próximos anos", contra os 14% atuais.

O ex-presidente russo mencionou os males sociais do país, "a pobreza, "a desgraça" do tabagismo e do alcoolismo. "Fuma-se e bebe-se na Rússia duas vezes mais que na maior parte dos países desenvolvidos", afirmou.

Os debates sobre a candidatura do novo primeiro-ministro foram realizados em um clima cordial, acompanhados por Putin e Medvedev sentados lado a lado, tomando notas, com um ar descontraído, de braços cruzados.

O líder do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov, dirigente da única força de oposição na Duma, criticou Vladimir Putin por "não ter conseguido desenvolver a democracia" e considerou que sua presidência foi a "das oportunidades perdidas".

Ziuganov elogiou "as qualidades" do ex-presidente que, segundo ele, "sabe ouvir e tomar notas" ao contrário dos ministros "que vendem os bens, aumentam os impostos e exploram os cidadãos".

O ultra-nacionalista Vladimir Jirinovski, ligado ao Kremlin, parecia ter esquecido o tema dos debates, e atacou os comunistas, acusando-os de terem explorado o trabalho dos prisioneiros políticos, exterminado as elites e forçado os cientistas a deixar o país durante a era soviética.

neo/dm/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG