Vizinhos do Afeganistão apoiam plano de negociação com talibãs

Istambul, 26 jan (EFE).- As nações vizinhas ao Afeganistão deram hoje em Istambul, na Turquia, seu apoio ao plano do presidente afegão, Hamid Karzai, de negociar com os talibãs mais moderados como meio de estabilizar a situação no país.

EFE |

"Apoiamos o processo de reconciliação nacional afegão e a reintegração (dos talibãs) de acordo com a Constituição do Afeganistão e de modo que seja liderado e dirigido pelos afegãos", afirmaram em declaração conjunta os participantes da cúpula de países vizinhos do Afeganistão.

O chefe de Estado turco, Abdullah Gül, foi o anfitrião de um encontro ao qual compareceram Karzai, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari e o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Rahimi.

Também participaram do encontro os ministros de Assuntos Exteriores de Reino Unido, China, Tadjiquistão e Quirguistão, assim como o vice-ministro de Assuntos Exteriores da Rússia e observadores da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Os talibãs que não fazem parte da Al Qaeda ou de outros grupos terroristas são bem-vindos caso retornem ao seu país e deixem as armas. Assim poderão desfrutar dos privilégios, dos direitos e das garantias dadas pela Constituição afegã", disse Karzai.

O plano do Governo afegão pretende fazer com que os combatentes desobedeçam as ordens de seus líderes e abandonem a luta armada em troca de dinheiro ou postos de trabalho.

O presidente do Afeganistão explicou na Turquia que seu Governo pedirá à ONU para que retire os talibãs mais moderados, com os quais Cabul conversaria, da lista de grupos terroristas e de sanções.

Esta iniciativa chega no momento em que os insurgentes afegãos aumentaram seus ataques. Hoje, um atentado suicida cometido nas proximidades da base militar americana de Camp Phoenix, ao leste de Cabul, feriu cinco civis.

No sul afegão, um civil e cinco policiais morreram numa noite em que a Isaf, a força internacional da Otan no Afeganistão, fez operações militares contra os insurgentes no sul e no leste do país.

Abdullah Gül ressaltou a necessidade de "ganhar os corações do povo afegão" já que, segundo ele, encarar o problema apenas como um assunto de segurança não levará ao fim do terrorismo.

A cúpula de hoje foi precedida por uma reunião trilateral na segunda-feira entre os presidentes de Turquia, Paquistão e Afeganistão, que igualmente teve como eixo principal a segurança e o modo de convencer os talibãs mais moderados a abandonarem as armas.

O objetivo do encontro organizado por Ancara foi aumentar a cooperação entre dois vizinhos que se olham com receio, pois Cabul acusa continuamente os serviços secretos paquistaneses de apoiar e financiar os talibãs.

Tanto o presidente turco, como o paquistanês, deram seu apoio ao plano de diálogo de Karzai, o qual assegurou que a medida tem o respaldo da UE e dos Estados Unidos.

No início deste mês, os ministros de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, e da Turquia, Ahmet Davutoglu, apontaram que não será possível chegar a uma solução para os problemas do Afeganistão sem uma reconciliação entre as diversas parcelas da população afegã em conflito.

A expectativa é de que na cúpula de Londres desta quinta-feira, na qual quase 60 países debaterão o futuro do Afeganistão, o presidente Karzai apresente todos os detalhes de seu plano de reconciliação com os talibãs. EFE dt-amu/bba

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