Três candidatos concorrem à Presidência do Paquistão na votação parlamentar de amanhã, com o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, na condição de favorito.

Zardari, líder do governante Partido Popular do Paquistão (PPP), assegurou que seu propósito é mudar o país, como queriam Bhutto e seu pai, o também ex-primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, levado à forca em 1979 pelo ditador Mohamad Zia-ul-Haq.

"Nossas políticas estão voltadas para salvar o Paquistão da desintegração. Temos ainda de voltar à via do progresso econômico", declarou Zardari em um jantar promovido recentemente na residência do primeiro-ministro, Yousef Raza Guilani.

"Queremos atrair todas as forças políticas em busca de um êxito nacional", disse o líder do PPP, em declarações publicadas pelo jornal "Dawn".

"Contamos com o apoio, em nosso esforço, de quase todos os partidos, menos daqueles que necessitam ter mais maturidade política", completou.

Zardari se referia a seus até agora parceiros da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) - liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif -, que apresentaram candidatura própria após romperem no último dia 25 sua aliança governista com o PPP.

O candidato da PML-N é o ex-chefe do Tribunal Supremo Saeeduzzaman Siddiqui, que, em entrevista à Agência Efe, se mostrou favorável à limitação de poderes presidenciais, que permitem ao governante, por exemplo, dissolver o Parlamento.

"O partido de Sharif oferece apoio ao PPP se este tiver interesse em fazer isso (reduzir os poderes presidenciais), mas não parece que vá fazê-lo", afirmou Siddiqui.

O candidato admitiu que seu partido está negociando com a Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q), legenda que dava apoio ao ex-presidente Pervez Musharraf, para a apresentação de uma candidatura conjunta.

A PML-Q é resultado de uma cisão ocorrida durante o mandato de Musharraf.

Mas o terceiro candidato na disputa presidencial, Mushahid Hussain, da PML-Q, aposta por uma "luta até o final", e duvida que seja possível a apresentação de uma candidatura conjunta, embora não descarte que ambas as legendas possam tecer acordos após a votação presidencial.

Em um encontro esta semana com a imprensa estrangeira em Islamabad, Hussain criticou Zardari, acusando-o de querer monopolizar todas as esferas do poder no Paquistão e de pretender implantar uma "ditadura de um só partido", o PPP.

"Zardari já é de fato o primeiro-ministro, o ministro de Assuntos Exteriores e o da Economia", assegurou Hussain.

"Agora quer ser também o presidente", completou o senador Hussain, que apontou ainda que a chefia de Estado daria a Zardari virtualmente o controle sobre "o arsenal nuclear do único país muçulmano que detém a bomba atômica".

Zardari parte como favorito para a eleição deste sábado, da qual participará um colégio eleitoral composto pelos membros da Assembléia Nacional, do Senado e de quatro assembléias provinciais.

O partido de Bhutto tem 124 das 340 cadeiras da Assembléia Nacional, frente a 91 da PML-N e 54 da PML-Q.

Legendas minoritárias, como a islamita Jamiat Ulema-e-Islam (JUI), o Muttahida Quami Movement (MQM) e o Partido Nacionalista Awami já anunciaram apoio à candidatura de Zardari.

Além disso, o PPP tem um grande peso nas assembléias da Província da Fronteira Noroeste e de Sindh (sudeste). Nas duas regiões faz parte da coalizão governante.

No entanto, a PML-N de Sharif domina a populosa província do Punjab, e a distribuição de cadeiras no Senado "ajuda" a PML-Q, já que os membros do partido foram escolhidos enquanto Musharraf ainda estava no poder.

Ameaçado com um processo de impeachment pelo Parlamento, Musharraf renunciou no último dia 18 à Presidência, quase nove anos depois de assumir o poder por meio de um golpe de Estado contra Sharif. EFE igb/fr

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