Viúvo de Benazir Bhutto é eleito no Paquistão; atentado mata 16

Por Augustine Anthony ISLAMABAD (Reuters) - Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeirna-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, ganhou a eleição presidencial neste sábado.

Reuters |

Sublinhando os problemas que ele vai enfrentar, um carro-bomba matou 16 pessoas em um ataque a um posto policial na cidade de Peshawar, no noroeste paquistanês. Pelo menos cinco dos mortos eram policiais, e a explosão feriu cerca de 40 pessoas.

A bomba destruiu o posto e derrubou os telhados de edifícios vizinhos e havia pessoas sob os escombros, disse o chefe da polícia provincial Malik Naveed Khan. O alvo do suicida provavelmente era a assembléia provincial, onde os membros estavam votando, disse ele.

Investidores e aliados estrangeiros, encabeçados pelos EUA, torcem para que a eleição traga alguma estabilidade depois de meses de tumulto político e crescente violência de militantes.

A incerteza derrubou ações e a rúpia, a moeda local, despencou de forma acentuada.

Membros do parlamento bicameral e quatro assembléias provinciais votaram para substituir o impopular Pervez Musharraf, que se demitiu no mês passado.

Zardari, cuja vitória era amplamente esperada, garantiu 480 dos 702 votos dos colégios eleitorais, de acordo com resultados não-oficiais da Comissão de Eleição.

'Não é somente uma vitória para Zardari e o Partido do Povo Paquistanês, mas para o sonho de Benazir Bhutto de um sistema político democrático', disse Farzana Raja, porta-voz do PPP, enquanto partidários entoavam 'longa vida a Bhutto'.

Bhutto foi assassinada em um ataque suicida em 27 de dezembro do ano passado, semanas após retornar de anos no exílio. Seu partido agora detém a presidência e a liderança de governo.

Em sua juventude Zardari foi um playboy jogador de pólo que mais tarde passou anos na prisão sob acusações que ele alega terem motivações políticas.

Ele terá que lidar com uma série de problemas que têm gerado temores no país aliado dos EUA e detentor da bomba atômica, incluindo a violência de radicais e uma economia em frangalhos.

PRÓXIMO DOS EUA

Zardari, de 53 anos, foi arrastado para o centro da política paquistanesa pelo assassinato de sua esposa. Uma eleição vitoriosa do PPP no parlamento em fevereiro o tornou uma das figuras mais poderosas do país.

Sua decisão de dar início ao processo de impeachment de Musharraf em agosto levou à demissão deste último e abriu caminho para Zardari conquistar o cargo máximo.

Seus dois rivais foram Saeeduzzaman Siddiqui, um ex-juiz, indicado pelo partido do ex-premiê Nawaz Sharif, e Mushahid Hussain Sayed, um importante membro do partido que apoiou Musharraf e governou sob seu comando.

Ex-homem de negócios, Zardari é próximo dos EUA e tem enfatizado o compromisso do Paquistão com a largamente impopular campanha contra a militância radical.

Mas ele assume num momento em que a raiva contra os EUA ferve, após uma sangrenta incursão de tropas terrestres americanas contra um vilarejo remoto na fronteira afegã na quarta-feira.

Em resposta ao ataque, as autoridades bloquearam uma importante rota de suprimento de combustível para as forças ocidentais no Afeganistão.

'Temos dito a eles que vamos agir e já agimos hoje.

Interrompemos o suprimento de gasolina e isso vai mostrar o quão sérios nós somos,' disse o ministro da Defesa Chaudhry Ahmed Mukhtar à Dawn Television.

A maior parte do combustível e de outros suprimentos para as forças americanas no Afeganistão é enviada de caminhão desde o Paquistão, atravessando a fronteira em dois pontos, Torkham, perto de Peshawar, e Chaman no sudoeste.

A passagem de Chaman, onde os suprimentos atravessam para o sul afegão, operava normalmente.

DÚVIDAS

Zardari passou 11 anos na prisão sob acusações de corrupção e assassinato. Ele nunca foi condenado e negou ter cometido qualquer delito.

Mas como indicação das dúvidas que ele enfrenta, uma pesquisa do instituto Gallup paquistanês mostrou que somente 26 porcento das cerca de duas mil pessoas inquiridas pensavam que ele deveria ser presidente, enquanto 44 porcento não desejava nenhum dos três candidatos.

A incerteza política, exacerbada por um racha na coalizão liderada pelo PPP no mês passado, juntamente com preocupações com a segurança e a economia, minaram a confiança dos investidores e fizeram as ações paquistanesas caírem 34 porcento este ano.

As minguantes reservas externas, um crescente déficit nas contas e a rúpia em declínio podem levar a um rebaixamento nas avaliações de investimento, à medida que as dúvidas sobre a capacidade do Paquistão de honrar seus pagamentos no exterior aumentam.

Mas provavelmente se vai evitar um colapso de sua dívida soberana, já que interessa às instituições auxiliar um país cuja estabilidade é um fator geopolítico tão importante, dizem analistas.

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