Viúvo de Benazir Bhutto aceita ser candidato à presidência do Paquistão

O viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no ano passado, Asif Ali Zardari aceitou ser candidato à presidência do Paquistão depois da renúncia de Pervez Musharraf.

AFP |

"Asif Ali Zardari aceitou disputar a eleição para o cargo de presidente do Paquistão depois que o partido o designou de forma unânime", declarou Raza Rabbani, subsecretário-geral do Partido Popular do Paquistão (PPP) de Bhutto.

As eleições do próximo dia 6 de dezembro servirão para substituir o presidente Pervez Musharraf, que nesta semana renunciiou ao cargo para evitar um processo de destituição.

Pela Constituição do Paquistão, o presidente deve ser eleito em uma sessão simultânea das duas câmaras do parlamento e das quatro assembléias provinciais.

Pervez Musharraf anunciou na segunda-feira passada, em um discurso à nação, sua renúncia ao cargo.

No auge da impopularidade, o ex-membro dos comandos de elite que chegaram ao poder da única potência nuclear militar do mundo muçulmano em outubro de 1999, finalmente cedeu às pressões de adversários políticos.

Sem dúvida, influenciou também em sua decisão o fraco apoio dado a ele nos últimos tempos pelo exército e, sobretudo, os Estados Unidos, até agora seu aliado chave na guerra contra o terrorismo islâmico. Eles o vinham condenando cada vez mais por não lutar com eficácia contra a presença da Al-Qaeda e dos talibãs nas zonas tribais do noroeste do país.

"Depois de analisar a situação e consultar conselheiros e aliados políticos, decidi renunciar", disse Musharraf com semblante grave.

"Deixo meu futuro nas mãos do povo", acrescentou, ao final de um discurso no qual defendeu seu balanço e acusou a coalizão governista, antiga oposição que saiu vitoriosa das legislativas de fevereiro, de fugir aos fundamentos da República Islâmica do Paquistão, com 160 milhões de habitantes.

Musharraf fez questão de reiterar sua inocência e assegurar que as acusações políticas contra ele não se sustentavam.

A coalizão de partidos que venceu as eleições conseguiu superar suas divisões e acertou em 7 de agosto que buscaria a destituição de Musharraf.

As potências ocidentais querem que o Paquistão resolva a crise o quanto antes possível para se concentrar na luta contra as milícias islamitas talibãs e a rede Al-Qaeda nas regiões fronteiriças com o Afeganistão, onde 500 pessoas morreram na semana passada.

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