Em comunicado para marcar dez anos de conflito, insurgentes garantem que forçaram 'ocupadores' a 'repensar posição'

O Taleban prometeu continuar combatendo todas as forças estrangeiras que restam no Afeganistão em uma declaração feita nesta sexta-feira para marcar o aniversário de dez anos da campanha militar dos Estados Unidos no país.

Soldados americanos vigiam um prisioneiro afegão durante operação em 2003 no leste do Afeganistão
Getty Images
Soldados americanos vigiam um prisioneiro afegão durante operação em 2003 no leste do Afeganistão

A luta do grupo na última década, "mesmo com armas e equipamentos escassos, forçou os ocupadores, que pretendiam ficar para sempre, a repensar a sua posição", disse o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, na declaração escrita em inglês.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o presidente americano, Barack Obama, concordaram que as tropas de combate estrangeiras voltem para casa até o fim de 2014 . O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

Nesse 7 de outubro, completam-se dez anos do início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques de 11 de setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha-dura do Taleban (Saiba mais sobre a história do Afeganistão) .

Um porta-voz das forças lideradas pela Otan que lutam no Afeganistão afirmou que não há nada planejado para comemorar o dia. O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico e ambos os lados alegam ter vencido.

A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o do ex-presidente afegão Buhanuddin Rabbani, mediador de paz do governo com o Taleban.

Diante disso, as forças da Otan reforçaram o controle sobre antigos redutos do grupo militante no sul do país. "Com a ocorrência dos dez anos da Jihad promovida pelo povo afegão contra os invasores, devemos lembrar que a vitória divina está conosco", disse o comunicado de Mujahid, que foi enviado por email.

"Se segurarmos firme na corda de Alá, evitarmos a insinceridade, a discórdia, a hipocrisia e outras doenças, então, com a ajuda de Alá, nosso inimigo será forçado a abandonar por completo nosso país", acrescentou.

Embora as tropas estrangeiras tenham sido inicialmente bem-recebidas como libertadoras no Afeganistão, a presença delas provocou muitas mortes . Bilhões de dólares que entraram no país alimentaram a corrupção.

Obama também divulgou um comunicado para lembrar a data histórica. No texto, ele destacou o "sacrifício" das tropas e o seu trabalho para tornar seu país mais seguro. O presidente americano também garantiu que os EUA estão mais próximos "do que nunca" de combater a rede terrorista Al-Qaeda.

Com Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.