Vitória de Obama é marco, mas disparidades persistem

A vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais americanas representa um marco em um país com uma longa história de opressão racial, mas disparidades entre brancos e negros persistem nos Estados Unidos. Durante a campanha, Barack Obama não falou muito sobre a luta dos negros por igualdade, mas o significado racial de sua candidatura e sua vitória é imenso.

BBC Brasil |

Para medir a importância histórica do evento, vale a pena lembrar como os Estados Unidos eram em questões raciais em 1961, quando o democrata nasceu.

Na época, a maior parte do sul dos Estados Unidos ainda tinha leis de segregação racial. Negros e brancos nasciam em hospitais diferentes, estudavam em escolas separadas e eram enterrados em cemitérios distintos.

Na capital, Washington, diplomatas africanos não podiam viver nas partes mais populares da cidade e não conseguiam ser atendidos em barbeiros mais caros.

Quando chegou à Presidência, em 1961, John F. Kennedy apontou vários negros como assessores, mas o mais valorizado era George Thomas, o homem que escolhia as roupas do presidente.

Disparidades
Desde o fim do período de reconstrução que se seguiu ao fim da guerra civil americana, houve apenas três senadores negros nos Estados Unidos e apenas dois Estados - Massachusetts e Virgínia - elegeram um governador negro.

Outros indicadores sociais e econômicos também mostram que diferenças nas condições de vida de negros e brancos persistem nos Estados Unidos.

A taxa de mortalidade infantil para bebês de mulheres negras é 2,4 vezes a registrada para os de mulheres brancas, segundo um estudo divulgado pelo centro de controle e prevenção de doenças em outubro.

Segundo dados do Departamento do Trabalho, no terceiro trimestre deste ano, 6,1% da força de trabalho total estava desempregada nos Estados Unidos, mas, entre os negros, a proporção sobe para 11,4%.

De acordo com dados do censo, em 2007, 10,6% da população branca vivia abaixo da linha divisória oficial de pobreza de US$ 21 mil para uma família de quatro, comparado com 24,4% da população negra.

Dados do Departamento de Justiça mostram que 0,8% dos homens brancos estão encarcerados, enquanto 4,6% dos homens negros estão atrás das grades.

Mesmo assim, apesar das desigualdades, a eleição de um presidente negro, o que muitos consideravam politicamente impossível, se tornou realidade.

Em agosto de 1961, Martin Luther King falou de seu sonho para os Estados Unidos.

Em janeiro de 2009, Barack Obama vai discursar nas escadas do Capitólio, do outro lado da Washington Mall, para selar seu triunfo histórico.

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