Vitória de Cristina Kirchner em primárias faz oposição rever estratégia

Além da presidente argentina, outros seis candidatos disputarão eleições gerais no dia 23 de outubro

iG São Paulo |

A arrasadora vitória da presidente argentina, Cristina Kirchner, nas eleições primárias da Argentina realizadas neste domingo desafia os candidatos de oposição a reverem sua estratégia para as eleições gerais de outubro.

As primárias foram realizadas pela primeira vez no país para definir as listas de candidatos para cargos executivos e legislativos nas eleições gerais do dia 23 de outubro.

AFP
Cristina Kirchner fala sobre vitória nas primárias de domingo
A presidente conquistou 50,07% dos votos, 38 pontos percentuais de vantagem sobre o radical Ricardo Alfonsín, à frente de uma aliança com peronistas dissidentes, que recebeu 12,17% de apoio. Já o ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), do peronismo dissidente, ficou logo atrás de Alfonsín, com 12,16% dos votos, enquanto em quarto lugar ficou o governador da província de Santa Fé, o socialista Hermes Binner, com 10,26%.

Satisfeita com o resultado, Cristina aproveitou para oferecer uma entrevista coletiva na sede do governo, onde insistiu no "salto qualitativo institucional" que as primárias significaram, destacou a participação "recorde" de 77,82% dos eleitores e considerou que sua vitória é "um reconhecimento à gestão".

"Não concebo nenhuma campanha que não seja trabalhando, sobretudo quando alguém tem as mais altas responsabilidades institucionais do país", assinalou a líder, que destacou também sua boa relação com os sindicatos e considerou o Parlamento o local adequado para dialogar com outras forças políticas.

Para o candidato a deputado Federico Pinedo, do movimento conservador Proposta Republicana (PRO), o triunfo de Cristina implica "um significativo voto de punição à oposição por não ter gerado uma alternativa realmente competitiva".

A oposição tem pela frente "uma tarefa de diálogo e abertura" para conseguir "uma mudança qualitativa" para as eleições gerais, avaliou Pinedo. O líder da força opositora PRO, o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ligou para a governante para cumprimentá-la por sua vitória.

‘Furacão’

Em entrevista a rádios locais, Hermes Binner classificou o resultado de domingo como "furacão Cristina". Segundo o socialista, que não se mostrou "muito contente" com a quantidade de votos reunidos pela Frente Ampla Progressista que lidera, o radicalismo "se equivocou" em sua aliança com o candidato a governador da província de Buenos Aires Francisco de Narváez, do peronismo dissidente. "Nem tudo vale, nem tudo é o mesmo, nem tudo se compra nem se vende. Os ideais e as propostas são as que devem nos guiar. É preciso tê-las em conta no momento de construir uma proposta crível para o povo", avaliou ao questionar a aliança de Alfonsín.

Alfonsín e Duhalde reconheceram neste domingo à noite a vitória de Cristina, mas buscaram dirigir seu discurso visando às eleições de outubro, nas quais sonham em disputar o segundo turno com a presidente

Os dois candidatos, que apostavam nessas primárias para "polarizar" a eleição com Cristina, não cogitam a possibilidade de ganhar em primeiro turno, levando em conta que são necessários 45% dos votos ou de 40% com 10 pontos de diferença sobre o segundo mais votado para conseguir esse objetivo.

Regiões

Já os candidatos do governo a cargos legislativos também ganharam na maioria das províncias, enquanto Cristina venceu em distritos importantes que não tinham resultado favoráveis ao governo nas eleições a governador, como Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé.

Nas primárias, implementadas por uma reforma política de 2009, todas as forças políticas deveriam reunir 1,5% dos votos válidos para poder concorrer nas eleições gerais. Esse nível mínimo necessário fez com que os candidatos Alcira Argumedo, Darío Pastore e José Bonacci ficassem de fora do pleito de outubro, que terá sete candidatos em disputa.

Assim, entram na disputa do primeiro turno das eleições de outubro a presidente argentina, Alfonsín, Duhalde, Binner, o governador de San Luis, Alberto Rodríguez Saá, a deputada Elisa Carrió da Coalizão Cívica, e Jorge Altamira, da Frente de Esquerda dos Trabalhadores.

*Com EFE

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