Vítimas protestam em Assunção contra anulação de pena a donos de supermercado

Assunção, 3 set (EFE) - Centenas de sobreviventes e parentes dos 327 mortos, em 2004, em um incêndio de um supermercado em Assunção protestaram hoje perante a sede dos tribunais contra a anulação da pena dos donos desse centro comercial.

EFE |

A manifestação ocorreu dois dias depois que um tribunal de apelação, integrado pelos juízes Arnaldo Martínez Prieto, Miriam Peña e Vicente Cárdenas, deixou sem efeito a condenação de 12 anos de prisão imposta a Juan Pio Paiva, dono do supermercado Ycuá Bolaños, que sofreu o incêndio em 1º de agosto de 2004.

O colegiado também anulou a pena de 10 anos prisão contra Víctor Paiva, filho do dono; a de cinco anos ao guarda do local Daniel Areco e a de dois anos e seis meses ao acionista Humberto Casaccia.

"As mortes de entes queridos, assim como as cicatrizes físicas e psicológicas de sobreviventes e parentes de vítimas, são as mais eloqüentes testemunhas de que as ambições e a cobiça de poucos pseudo-empresários, pseudo-profissionais da justiça podem afetar milhares de pessoas, todo um país", disseram os cerca de 300 ativistas em um comunicado.

O protesto incluiu uma passeata do Panteão dos Heróis no centro de Assunção até o Poder Judiciário (sede dos tribunais e da Corte Suprema), onde, nesta segunda-feira, houve incidentes entre os sobreviventes e familiares das vítimas com a Polícia após ser anunciada a nova resolução.

"A morte de tantos compatriotas nos lembra que o sistema, que o Governo, que as instituições são dirigidas por pessoas de carne e osso, e que aqueles que ontem se vangloriavam de seu poder e de sua riqueza hoje tentam por qualquer meio se sustentar perante um abismo de denúncias e atos de corrupção", acrescentou o documento.

Depois do protesto, os sobreviventes e familiares das vítimas do acidente, que deixou centenas de feridos, assistiram ao sepultamento do pai de um dos mortos na tragédia, que faleceu após sofrer uma parada cardíaca pouco depois de saber da decisão do tribunal de apelação.

Um tribunal de primeira instância, integrado pelos juízes Germán Torres, Blas Cabriza e Bibiana Benítez, tinha declarado culpados em 2 de fevereiro os principais processados por homicídio doloso e tentativa de homicídio doloso.

O julgamento teve que ser repetido depois da anulação do realizado em dezembro de 2005 pela reação violenta dos sobreviventes e parentes perante as condenações menores impostas na época.

O supermercado Ycuá Bolaños, situado em um bairro da periferia de Assunção e que estava cheio de clientes no domingo 1º de agosto de 2004, foi devastado pelo fogo que começou no restaurante, no segundo apartamento do edifício.

A Promotoria alegou que as portas do local foram fechadas por ordem dos donos quando começou o incêndio, que temiam atos de vandalismo ou saques às mercadorias. EFE rg/db

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