Vítimas do Holocausto pedem que rabino conte ao papa sua dor

Por Philip Pullella ROMA (Reuters) - Sobreviventes do Holocausto e seus parentes pedirão a um rabino de Roma que diga ao papa Bento 16, durante visita do pontífice a uma sinagoga no fim de semana, sobre a dor que eles sentem por verem a possibilidade de que Pio 12 seja canonizado.

Reuters |

"A decisão do papa Bento 16 de promover a candidatura de Pio 12 à santidade transmitiu ondas de choque por toda a minguante comunidade mundial de sobreviventes do Holocausto", disse a mensagem que o grupo pretende entregar ao rabino-chefe Riccardo di Segni.

A Reuters teve acesso na segunda-feira a trechos da mensagem preparada pela Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes, que será entregue na quarta-feira a Di Segni. O rabino receberá o papa no domingo na sinagoga.

Os signatários apelam ao rabino para que "transmita nossa dor e emoção ao papa Bento quando ele for recebido pelo sr. na sinagoga principal no domingo".

Grupos judaicos criticaram Bento 16 por aprovar no mês passado um decreto reconhecendo as "virtudes heróicas" de Pio 12, acusado por alguns judeus de fazer vista grossa ao Holocausto.

Pontífice durante a Segunda Guerra Mundial, Pio 12 pode ser beatificado e canonizado (transformado em santo), mas o processo ainda pode levar anos. Grupos judaicos queriam congelar o processo até que mais arquivos do Vaticano sejam abertos a acadêmicos.

"Acreditamos que o papa deva ser recebido com amor no coração e braços abertos. Nesse espírito, porém, a fidelidade à verdade e à memória deve ser vigorosamente afirmada", diz a mensagem.

"O histórico de silêncio de Pio durante o período da barbárie nazista contra o povo judeu é um sinal de fracasso moral. Nossos repetidos apelos para que as declarações do Vaticano de que Pio agiu para salvar vidas judaicas sejam documentadas por meio da abertura dos arquivos relevantes do Vaticano têm sido recebidas com silêncio", acrescenta a carta.

O Vaticano argumenta que Pio 12 agiu nos bastidores para ajudar os judeus, e que intervenções mais diretas dele poderiam ter piorado a situação para judeus e católicos da Europa. Muitos judeus contestam essa posição.

O grupo, que representa 80 mil famílias de sobreviventes, diz que "grande parte da nação italiana e de instituições católicas individuais" tentaram ajudar judeus durante o Holocausto, mas que "o Vaticano não apresentou documentos para mostrar que Pio estivesse entre eles".

O Vaticano diz que os arquivos vão demorar a ser abertos devido ao enorme número de documentos envolvidos.

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