Vítimas de pedofilia enviam queixa contra papa à corte penal

Associação acusa outros três dirigentes da Igreja no Tribunal Penal Internacional de terem ocultado e tolerado crimes sexuais

iG São Paulo |

Reuters
Papa Bento 16 celebra missa em Ancona, na Itália (11/9)
Uma associação de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira ter apresentado uma queixa contra o papa Bento 16 e autoridades da Igreja Católica no Tribunal Penal Internacional por possíveis crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres (SNAP, sigla em inglês), orientados pelos advogados da ONG americana sediada em Nova York Centro para Direitos Constitucionais, entraram com uma ação para que o papa seja julgado por "respons

abilidade direta e superior por crimes contra a humanidade, por estupro e outros casos de violência sexual cometidos em todo o mundo".

A organização acusa o chefe da Igreja Católica de ter "tolerado e ocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças". Além do papa, outros três cardeais que têm ou tiveram cargos de responsabilidade foram acusados: o secretário de Estado e segundo da Santa Sé, o italiano Tarcisio Bertone; seu antecessos, Angelo Sodano, também italiano; e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o americano William Levada, que sucedeu Joseph Ratzinger no posto.

À queixa, a organização acrescentou 10 mil páginas de documentação de casos de pedofilia.

Membros da SNAP provenientes de Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Bélgica - quatro países muito afetados pelo grande escândalo de pedofilia que envolve a Igreja - foram a Haia pedir a abertura desse processo judicial contra o Papa e seus assessores "por sua responsabilidade direta como superiores hierárquicos".

"Crimes contra dezenas de milhares de vítimas, a maioria crianças, foram escondidos pelos líderes nos mais altos níveis do Vaticano. Nesse caso, todos os caminhos levam a Roma", declarou a advogada do grupo, Pamela Spees.

Barbara Blaine, presidente da SNAP nos EUA, disse que recorrer à corte foi seu último recurso. "Nós tentamos tudo que foi possível para pará-los e eles não o fizeram", afirmou. "Se o papa quisese, ele poderia ter tomado uma atitude a qualquer hora que ajudaria crianças hoje e no futuro, e ele se recusou a fazer qualquer coisa."

Os bispos e, em alguns casos, o próprio Vaticano rejeitaram ou ignoraram muitas das queixas das vítimas de padres pedófilos. Os escândalos desacreditaram a Igreja em vários países na Europa.

O Papa Bento 16 expressou sua vergonha e pediu desculpas, apelando para a tolerância zero contra os pedófilos. Ele também pediu aos bispos do mundo, que têm a responsabilidade primária sobre seus sacerdotes, a plena cooperação com os tribunais criminais.

A SNAP não acredita nesse desejo de transparência e justiça, e não moderou suas acusações. Em função disso, a organização iniciou nesta terça-feira uma campanha de informação que levará seus integrantes a Amsterdã, Bruxelas, Berlim, Paris, Viena, Londres, Dublin, Varsóvia, Madri e Roma, onde pretendem "levar a queixa às portas do Vaticano".

* Com AFP e AP

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