Vítimas de Josef Fritzl se dirigem à opinião pública pela primeira vez

Viena, 14 mai (EFE).- As vítimas de Josef Fritzl, o austríaco acusado de ter mantido a filha em cativeiro e abusado sexualmente dela durante 24 anos, se dirigiram hoje pela primeira vez à opinião pública por meio de um cartaz com várias mensagens, exposto na cidade de Amstetten, onde os crimes ocorreram.

EFE |

"Queremos agradecer a todos pelo interesse demonstrado em nossa situação. A compreensão de vocês nos ajuda muito a suportar o momento difícil e nos mostra que também há pessoas boas e sinceras", indica a família no cartaz, colado em uma vidraça da praça principal de Amstetten.

"Esperamos que um dia possamos voltar a ter uma vida normal", acrescentam no cartaz, escrito e desenhado à mão pelos sete membros da família internados em uma clínica para pacientes especiais.

O cartaz contém desenhos de um coração ao qual chega a luz do sol para Kerstin, de 19 anos, filha-neta de Josef Fritzl, que continua em estado grave internada no hospital de Amstetten.

Além disso, em algumas mãos estão escritos vários desejos, como "Viver em paz com crianças", "Cura para minha filha", "Proteção da família" e "Amor das crianças".

"Desejo poder viver em paz com meus filhos, com muita força e a ajuda de Deus", escreve Elisabeth, de 42 anos, que aos 18 foi enclausurada por seu pai em um cativeiro construído no porão da casa da família.

Conforme as investigações feitas até agora, que incluíram várias declarações de Josef Fritzl e Elisabeth, foi lá que nasceram seus sete filhos.

Um deles morreu pouco depois de nascer, e teve seus restos queimados na caldeira da casa por seu pai-avô.

Outros três viveram no domicílio oficial da família Fritzl, adotados por seus avôs, após simular que sua mãe os tinha dado à luz em uma seita desconhecida e posteriormente os abandonado na porta da casa.

Os outros três, dentre os quais Kerstin, permaneceram no porão com sua mãe, sem nunca terem visto a luz do sol até o fim de abril.

Com exceção de Kerstin, o resto da família - incluindo Rosmarie, a esposa de Fritzl - está internado na Clínica de Amstetten-Mauer, protegida da opinião pública e da imprensa por fortes medidas de segurança.

Enquanto isso, o acusado permanece em prisão preventiva na penitenciária de Sankt Pölten, capital do Estado federado da Baixa Áustria.

Gerhard Sedlacek, porta-voz da Promotoria de Sankt Pölten, anunciou hoje que Fritzl não voltará a ser interrogado pela procuradora Christiane Burkheiser pelo menos até a próxima semana, e disse que os peritos examinam hoje o local com radares.

A tragédia veio a público no último dia 27, quando a Polícia deteve Fritzl, que, segundo informações vazadas à imprensa, reconheceu posteriormente ter mantido em cativeiro e abusado sexualmente de sua filha em diversas ocasiões, além de ter tido filhos com ela. EFE wr/ev/gs

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