Vítimas de Josef Fritzl se adaptam aos poucos à vida em liberdade

Zeillern (Áustria), 5 mai (EFE).- As vítimas de Josef Fritzl, o austríaco que trancou e violentou sua filha Elisabeth durante quase 24 anos no porão de sua casa, começam a viver como família e a se acostumarem à liberdade.

EFE |

Entretanto, a adaptação dos que viviam no cativeiro é mais lenta, disse hoje Berthold Kepplinger, médico responsável pela recuperação destas pessoas.

Para poder "reenviar para uma vida normal" Elisabeth, de 42 anos, e cinco de seus filhos fruto da relação incestuosa com seu pai, os médicos pediram hoje que a privacidade das vítimas seja respeitada.

"A proteção da privacidade da família é prioritária", declarou Kepplinger, que também é diretor da clínica de Amstetten na qual a família está há nove dias.

O médico também transmitiu o "agradecimento" da família pelas demonstrações de solidariedade expressadas, mas deixou claro que devem ser "deixados em paz para que tenham a oportunidade de voltar a uma vida normal".

Kepplinger explicou alguns detalhes da vida em comum de Elisabeth, de seus cinco filhos e da mãe dela, Rosemarie, enquanto a filha mais velha, Kerstin, de 19 anos, continua em estado grave, mas estável.

A família está em um espaço de 70 metros quadrados isolado do resto do prédio e com os vidros escurecidos para facilitar a adaptação à luz de Elisabeth e de seus filhos, Stefan, de 18 anos, e Felix, de cinco.

"Conversam muito entre eles, algo normal para pessoas que não se viram por muito tempo", afirmou Kepplinger, que explicou que eles realizam tarefas domésticas juntos, como arrumar as camas pela manhã e preparar o café da manhã e o jantar.

Elisabeth, Stefan e Felix ainda continuam em processo de adaptação e tentam "superar sua dificuldade para se orientarem com o espaço", após terem vivido em um minúsculo cativeiro de 55 metros quadrados.

Kepplinger também disse que, para facilitar a adaptação, colocaram no espaço elementos que já conheciam e que foram fornecidos por Fritzl.

"Têm novamente um aquário e, naturalmente, as crianças recuperaram seus bichos de pelúcia e seus brinquedos", disse o médico.

"Esta é uma fase de criação do sentimento e da imagem familiar em que os irmãos que não tinham se visto estão se conhecendo por meio de brincadeiras", declarou Kepplinger.

Felix, o filho mais novo, foi descrito como um menino especialmente "esperto e amigável" e cuja pele está mudando rapidamente para uma tonalidade normal graças à alimentação saudável e ao contato com a luz.

O médico afirmou que a situação dos reclusos no porão não era tão ruim pelo fato de Fritzl dar pílulas de vitamina D e de eles terem uma lâmpada ultravioleta para atenuar o efeito da falta de luz.

Elisabeth também teve contato com as filhas de 14 e 15 anos, "adotadas" por Fritzl e Rosemarie e que não via desde que tinham poucos meses de vida.

O ritmo de adaptação dos três reclusos é mais lento, pois "o tempo passava muito devagar" no cativeiro, e Elisabeth precisa de repouso para agüentar o dia a dia.

Enquanto isto, Kerstin continua em coma induzido respirando com a ajuda de aparelhos, segundo Albert Reiter, chefe da equipe médica do hospital de Amstetten.

Kerstin foi internada em estado grave em 19 de abril por causa de uma estranha doença, revelando um terrível caso de seqüestro e violência sexual que comoveu o mundo. EFE ll/wr/fal

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