Vítimas de cólera no Haiti pedem indenização à ONU

Cinco mil vítimas da epidemia, causada pelas próprias forças de paz da ONU, pedem entre US$ 50 mil e US$ 100 mil cada

iG São Paulo |

Cinco mil vítimas da cólera no Haiti entraram com ações legais para exigir da Organização das Nações Unidas o pagamento de centenas de milhões de dólares de indenização por conta de uma epidemia causada pelas próprias forças de paz da ONU, informaram os advogados dos haitianos nesta terça-feira.

AFP
Manifestantes no Haiti exigem retirada das tropas da missão da ONU; no cartaz lê-se: "Brasil + Chile = Ocupação" (14/9)

A cólera no Haiti já deixou 6,6 mil mortos e 475 mil infectados desde o início da epidemia, há um ano. Vários estudos indicam que o foco da doença chegou ao país através das forças de paz do Nepal . Por conta disso, defensores do Instituto para a Justiça e a Democracia do Haiti (IJDH) apresentaram uma demanda judicial para exigir US$ 100 mil por morte e US$ 50 mil para cada um dos enfermos.

Ao todo, o grupo representa 5 mil vítimas de cólera, entre doentes e familiares dos mortos. "O foco da doença é atribuído diretamente à negligência, negligência grave, à imprudência e à indiferença deliberada das Nações Unidas em relação à saúde e à vida dos cidadãos do Haiti", diz a petição.

Segundo os advogados, a ONU tentou encobrir a causa da doença até que um painel independente de especialistas publicou um informe em maio. O documento foi enviado à sede da ONU e à missão das Nações Unidas no Haiti, a Minustah, na semana passada. Não houve qualquer comentário.

Segundo relatório divulgado no mês passado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final do ano o Haiti terá 500 mil casos de cólera.

O caso do surto de cólera foi um dos primeiros de outros episódios que tornaram a Minustah impopular no país caribenho. Mais recentemente, o suposto estupro de um jovem haitiano por soldados de paz uruguaios provocou revolta na população, que foi às ruas pedir pela saída da missão.

O Conselho de Segurança da ONU concordou no mês passado com a retirada de cerca de 3 mil soldados e policiais da Minustah, para que ela volte a ter contingentes mais próximos aos existentes antes do terremoto de janeiro de 2010.

Desse modo, permanecerão no país caribenho cerca de 10 mil efetivos contra os cerca de 9 mil que a força possuía antes do devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010 que terminou com um saldo de 250 mil mortos.

A retirada de aproximadamente 1,7 mil policiais e 1,6 mil soldados, que será realizada nos próximos 12 meses, foi aprovada por unanimidade pelos 15 países membros do Conselho de Segurança, entre eles o Brasil, que também lidera a Minustah. O plano é que permaneçam no país 7.340 soldados e 3.241 policiais.

Com AFP

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