Vítimas de Battisti ficam indignadas com carta do ex-ativista

Dois parentes de vítimas de Cesare Battisti, o ex-militante de esquerda italiano a quem o Brasil concedeu o estatuto de refugiado político, expressaram nesta sexta-feira sua indignação com a carta publicada pela imprensa na qual o homem acusado de ter cometido quatro homicídios pede a seu país de origem que pare de persegui-lo.

AFP |

Os parentes de vítimas se disseram surpresos de que um homem condenado por assassinato se refira ao "lado cristão" da Itália e peça para ser perdoado, apesar de nunca ter-se desculpado pelos "anos de chumbo" do terrorismo na Itália.

Na carta manuscrita de oito páginas redigida em sua cela de Papuda, no Brasil, Battisti diz que "talvez tenha chegado a hora de a Itália mostrar seu lado cristão" e pede ao governo italiano que "mostre nobreza" e o "perdoe".

O ex-ativista, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos no fim dos anos 70, também se diz "perseguido" e "vítima de uma intensa campanha da mídia".

"Não entendo como uma pessoa que matou outras quatro pode se referir ao cristianismo. Meu irmão foi baleado cinco vezes na cabeça, como um cristão cometeria tal ato?", perguntou à AFP Maurizio Campagna, irmão de Andrea, um policial assassinado em abril de 1979.

"O lugar de Battisti é na prisão, seja na Itália ou no Brasil", acrescentou.

"Battisti nunca pediu perdão por seus crimes, e nós é que deveríamos fazê-lo. Isso é uma vergonha", insurgiu-se Adriano Sabbadin, cujo pai foi assassinado em fevereiro de 1979.

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