Vítimas de ataque à região da Síria divisa com Iraque são enterradas

DAMASCO - Foram enterrados nesta segunda-feira os corpos das oito vítimas de um ataque armado cometido no domingo em uma região da Síria, na fronteira com o Iraque. A ação foi qualificada de criminosa pelo governo sírio, que responsabilizou os Estados Unidos.

Redação com EFE |

Segundo fontes oficiais sírias, o ataque foi cometido por quatro helicópteros dos EUA que vieram do Iraque. A televisão síria divulgou nesta segunda imagens do enterro coletivo das vítimas, ao qual milhares de pessoas assistiram, entre elas autoridades locais, moradores e parentes dos mortos.

Os relatos reproduzidos pela televisão durante o funeral indicam que entre as vítimas havia um guarda e quatro de seus filhos, com idades entre 16 e 24 anos. "Eram inocentes" e tudo o que faziam "era ganhar o pão de cada dia", afirmou um dos habitantes locais, que não foi identificado, e que qualificou o episódio como "uma ação covarde contra inocentes desarmados".

A Síria afirma que o ataque foi dirigido contra um solar em construção na região fronteiriça com o Iraque. Além dos oito mortos, duas pessoas ficaram feridas, entre elas a esposa do guarda, que disse à agência de notícias estatal "Sana" que alguns dos soldados americanos falavam árabe. "Eles saíram dos helicópteros e entraram na loja onde vivia com meus filhos e minha família", acrescentou.

Uma fonte oficial afirmou que haverá algum tipo de reação por parte da síria. Em ocasiões anteriores, nas quais a Síria foi alvo de ataques estrangeiros contra seu território, as autoridades sírias se limitaram a condenar as agressões e a ressaltar seu direito de responder no momento oportuno.

Foi o que ocorreu após um ataque aéreo israelense em setembro de 2007 contra uma instalação militar síria que, segundo Washington, fazia parte de um projeto para desenvolver energia nuclear.

O mesmo aconteceu após um ataque israelense em outubro de 2003, contra um suposto campo de treinamento palestino situado a 15 quilômetros de Damasco.

O único incidente direto entre soldados americanos e sírios foi registrado ao sul de Abu Kamal em junho de 2003. Vários guardas fronteiriços sírios ficaram feridos em uma troca de tirps com soldados americanos, quando estes atacaram um comboio no qual achavam que viajava o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.

Naquela ocasião, o regime sírio se limitou a apresentar uma queixa formal ao então embaixador americano em Damasco Theodore Kattouf.

Em Londres, o ministro de Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, acusou hoje os Estados Unidos de terem perpetrado "um ato de agressão terrorista" contra seu país.

Ele se reuniu com o chanceler britânico, David Miliband, e em declarações posteriores aos jornalistas rejeitou a possibilidade de ter sido um erro, já que a ação foi executada à luz do dia. Se isso voltar a ocorrer, "nós defenderemos nosso território", acrescentou.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormach, não quis confirmar ou desmentir a participação americana nesta ação, mas destacou a falta de controle oficial na fronteira entre a Síria e o Iraque.

Por sua vez, o porta-voz do Governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, afirmou hoje que no passado essa região fronteiriça foi palco de atividades de organizações terroristas da Síria que operam contra o Iraque.

E acrescentou, sem fornecer datas, que um desses grupos terroristas causou a morte de 13 agentes do Ministério do Interior em território fronteiriço.

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