Vítimas de abusos sexuais de padres nos EUA querem investigação da ONU

Nova York, 14 abr (EFE).- A Rede de Sobreviventes de Pessoas Vítimas de Abusos por Sacerdotes (Snap, em inglês) enviou hoje uma carta à Assembléia Geral da ONU na qual pede que abra uma investigação sobre os abusos sexuais cometidos por membros da hierarquia eclesiástica.

EFE |

Às vésperas da primeira visita aos Estados Unidos do papa Bento XVI, responsáveis pela Snap enviaram hoje por fax uma carta na qual pedem que a ONU mobilize recursos para investigar os abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica e zele pelo cumprimento da Convenção dos Direitos da Criança.

"Milhares de sacerdotes violaram, sodomizaram e brutalizaram sexualmente milhares de crianças no mundo todo", assegurou hoje Barbara Blaine, porta-voz e fundadora da Snap e vítima também desse tipo de abuso.

Durante sua visita, o pontífice, que esta semana completará 81 anos, deve visitar a sede da ONU, ir ao plenário da Assembléia Geral e se reunir com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e com o presidente desse órgão, Srgjan Kerim.

Na carta enviada a este último, as vítimas reunidas na Snap lamentam que "os incontáveis representantes da Igreja que abafaram esses crimes, ou os encobriram ativamente, não tenham perdido seus postos de trabalho e nem sequer tenham sido censurados, mas, ao contrário, alguns inclusive foram promovidos".

Blaine lembrou durante uma entrevista coletiva que o Vaticano é signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, pelo que está comprometido perante a comunidade internacional a proteger os menores dos abusos e da exploração.

Bill Nash, um ex-seminarista de Massachusetts vítima desse tipo de abuso, recomendou ainda que as pessoas que se encontrem na mesma situação denunciem perante as autoridades policiais e não só perante estamentos eclesiásticos.

Nesse sentido, Blaine explicou que ela, quando se sentiu capaz de tornar públicos os abusos sofridos, apenas pôde contá-los a seus pais e estes informaram ao superior do abusador, que "acabou nos convencendo de que era o primeiro caso e que fariam de tudo para impedir que se repetisse".

"Depois me inteirei que tinha estado fazendo durante muitos anos anteriores e que jamais tinha sido denunciado à Polícia", explicou Blaine.

O diretor regional da Snap, Peter Isely, também vítima de abusos, manifestou: "O que pedimos é muito elementar, que se investiguem as violações aos direitos humanos" cometidas "só nos Estados Unidos por 5.100 sacerdotes em três anos".

"Ultrapassando esse número, poderia-se calcular que no mundo haveria entre 20 mil e 21 mil sacerdotes que abusam sexualmente das crianças. Isso sendo conservadores no cálculo", acrescentou.

Nos Estados Unidos, segundo dados de 2005 da Conferência Nacional de Bispos Católicos, havia 41.400 sacerdotes católicos, e os americanos que professam o catolicismo são pouco mais de 67 milhões, que representam 6% da população católica mundial.

"No início dos anos 90, encontrávamos enormes reservas por parte das forças policiais para investigar estes casos. Agora a coisa mudou, por isso temos a esperança de que a ONU tome as rédeas e abra uma investigação", acrescentou o diretor nacional da Snap, David Clohessy. EFE mgl/db

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