Vítimas de abusos sexuais cometidos por padres fizeram uma manifestação no Vaticano nesta quinta-feira, exigindo que o papa Bento 16 libere a divulgação dos arquivos sobre clérigos católicos pedófilos em todo o mundo e destitua todos os padres predadores de suas funções sacerdotais, imediatamente.

Reuters
Vítima de abuso segura cartaz com foto do papa durante protesto no Vaticano

Vítima segura cartaz com foto do papa em protesto no Vaticano

A manifestação acontece no momento em que um cardeal destacado denunciava o que descreveu como uma "conspiração" para desacreditar a Igreja Católica e disse que pode entender porque alguns bispos impediram a divulgação de casos de pedofilia, para não prejudicar o bom nome da Igreja.

Quatro líderes da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (Snap), dos EUA, todos os quais foram sexualmente abusados por padres, incluindo terem sido estuprados e sodomizados, ergueram fotos deles mesmos quando crianças e cartazes dizendo "Acabem com o Sigilo Agora".

"Eu pediria ao papa que por favor abrisse os arquivos da Congregação da Doutrina da Fé e entregasse todas as informações à polícia", disse Barbara Blaine, presidente da Snap.

Reuters
Peter Isely, John Pilmaier e Barbara Blaine protestam

Peter Isely, John Pilmaier e Barbara Blaine protestam

Ela se referia ao departamento no passado chefiado pelo papa na época em que ele era cardeal e que julga casos de abuso sexual.

"Eu também pediria a ele que enviasse uma ordem pública a bispos em todo o mundo no sentido de que todos os padres predadores devem ser afastados de seus cargos imediatamente", disse ela, minutos antes de a polícia apreender os passaportes dos líderes da Snap e levar os líderes embora para interrogatório.

Um escândalo sobre os alegados acobertamentos de abusos sexuais de crianças por parte de padres vem convulsionando a Igreja Católica da Europa com intensidade ainda maior que o escândalo semelhante que atingiu os Estados Unidos oito anos atrás.

Desta vez, porém, o escândalo vem chegando perigosamente perto do próprio papa, na medida em que os grupos de vítimas disseram que querem saber como ele tratou desses casos antes de sua eleição a papa, em 2005.

Foram feitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais em Munique na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.

Leia também:


Leia mais sobre Igreja Católica

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.