Visto seria retrocesso na relação com britânicos, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a possibilidade de o governo britânico exigir visto de entrada para brasileiros seria um retrocesso e que o país não permitiria a participação de oficiais britânicos na fiscalização de brasileiros no Brasil. Se nós estabelecermos essa política de visto é um retrocesso nas relações entre os dois países, disse Lula, em Assunção, no Paraguai, onde acompanhou a posse do presidente Fernando Lugo.

BBC Brasil |

Lula fez as declarações ao ser questionado sobre uma proposta do governo britânico de adotar medidas para coibir a imigração ilegal, como impor a necessidade de vistos para brasileiros a partir 2009 ou enviar oficiais britânicos para auxiliar na fiscalização de potenciais imigrantes ilegais.

"Não é possível permitir que haja policiais ingleses nos aeroportos brasileiros fiscalizando brasileiros", disse Lula, minutos antes de embarcar de volta ao Brasil. "Ou seja, não é uma boa política."
"Ajuda"
A embaixada britânica no Brasil emitiu uma nota sobre o assunto nesta sexta-feira dizendo que o país está considerando do pedido de visto para 11 países, entre eles, o Brasil. Ainda de acordo com a nota, "a introdução do regime de vistos significaria que os visitantes provenientes destes países precisariam solicitar um visto de seis meses antes de viajar para o Reino Unido".

A embaixada afirmou ainda que está trabalhando com os países avaliados para discutir alternativas ao visto. Entre as medidas avaliadas "está envio de um Oficial de Ligação Britânico para o país em questão". Segundo os britânicos, esses "oficiais" são funcionários da agência de imigração britânica. No Reino Unido, esses agentes podem deter pessoas por no máximo 3 horas até a chegada de um policial, caso avaliem que ela cometeu uma infração de imigração passível de prisão.

De acordo com a nota da embaixada, no Brasil esses agentes "não teriam nenhuma autoridade executiva". Atualmente o governo britânico mantém funcionários dessa natureza em cerca de 30 países. "(Eles) desempenham um papel de consultoria, oferecendo treinamento (na área de detecção de fraudes, por exemplo) para as companhias aéreas e as autoridades nacionais de imigração", afirma a nota..

"Protecionismo humano"
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanhou o presidente na viagem ao Paraguai, afirmou que a proposta do governo britânico é "lamentável" e não será aceita pelo Brasil. "Da maneira como isso está colocado não dá muito para trabalhar", disse Amorim.

O ministro afirmou que o Brasil vai reiterar à Grã-Bretanha que está aberto a cooperar, mas "desde que seja uma cooperação na base da reciprocidade, do respeito mútuo e também do interesse mútuo".

"Não pode ser uma coisa unilateral e não pode ser uma coisa que de alguma maneira prejudique a soberania do país", disse.

Amorim afirmou ainda que o governo brasileiro lamenta "qualquer perspectiva de dificulte a mobilidade de pessoas. Isso vai contra os princípios não só da globalização, mas também do bom relacionamento entre os países".

Para o ministro, há um "protecionismo humano" na Europa. Amorim disse que a União Européia tem problemas de imigração com outros países, mas acaba colocando todos "no mesmo balaio".

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