Visita do papa à Terra Santa desperta questões terrenas

Daniela Brik. Jerusalém, 7 mai (EFE).- A visita de Bento XVI à chamada Terra Santa, que começa amanhã e vai até o próximo dia 15, desperta inúmeras dúvidas terrenas, como as que envolvem as formas de acesso do papa-móvel, o modo de se conseguir ingressos para as missas ou detalhes de seu percurso pelo Museu do Holocausto.

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Despontando como um dos principais acontecimentos do ano, a visita de Bento XVI levanta enormes expectativas em várias questões, que não só tem em foco a reduzida comunidade cristã local ou os devotos que farão peregrinações, mas também círculos políticos israelenses e palestinos, órgãos de segurança e a imprensa.

O pontífice começará a peregrinação amanhã com uma estadia de três dias na Jordânia, e no dia 11 seguirá para Israel e aos territórios palestinos, a fase mais delicada da viagem, por razões políticas e religiosas.

O papa aterrissará no aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, em voo da companhia israelense El Al, e se deslocará a Jerusalém, onde será recebido pelo presidente de Israel, Shimon Peres.

Ratzinger visitará posteriormente o Museu do Holocausto, parada obrigatória a qualquer chefe de Estado quando em Israel. No entanto, e por se tratar de um pontífice alemão, o comparecimento está carregado de simbolismo.

No memorial, que recebe o nome hebraico de Yad Vashem, Bento XVI prestará homenagem aos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e seus aliados.

Com aproximadamente 40 minutos previstos, a visita terá seu ápice no "Hall da Memória", onde fará uma oferenda e aumentará a chama que há sobre o solo de cimento e onde é possível ler os nomes de todos os campos de concentração nazistas.

"No local, (o papa) se encontrará com seis sobreviventes do Holocausto e pronunciará algumas palavras", explicou à Agência Efe a porta-voz da instituição, Esti Yaari.

Alguns críticos afirmaram que a duração da visita a transforma em "meramente protocolar" ou de "cortesia", e de menor expressão que a realizada pelo antecessor de Bento XVI, João Paulo II, em 2000.

Na sombra está a polêmica que ainda põe em lados opostos Vaticano e Museu do Holocausto por uma imagem do papa Pio XII e uma epígrafe que acusa este de passividade diante da perseguição de judeus por parte dos nazistas.

Sobre a polêmica, o museu constata que existem conversas em andamento, embora enfatize que o pontífice não visitará a sala em questão.

A respeito, o diretor do Centro de Jerusalém para as Relações Judaico-Cristãs, Daniel Rossing, acredita que se trata de uma "questão muito complexa", embora sobre a duração da visita se pergunte retoricamente "quanto tempo seria o suficiente?".

Ainda falta resolver a questão das entradas para as missas e cerimônias religiosas que o papa celebrará durante sua estadia. A maior das missas ocorrerá em Nazaré no dia 14, com 40 mil pessoas sendo aguardadas.

A imprensa poderá ter acesso às informações e imagens da visita de Bento XVI graças a um pool em cada momento e local, de cuja gestão não se encarrega a Igreja mas as autoridades de cada país ou território que venha a ser visitado pelo papa.

Dois veículos blindados popularmente conhecidos como papa-móvel serão utilizados pelo pontífice em Israel e nos territórios palestinos, e um terceiro na Jordânia, enquanto órgãos de segurança israelenses estudam o itinerário a ser percorrido por Bento XVI na Cidade Antiga de Jerusalém, com vielas estreitas e ruas de pedra.

EFE db/fr

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