Visita do Papa: a questão das propriedades da Igreja

Mais de 15 anos após a assinatura de um acordo fundamental entre Israel e o Vaticano, a questão das propriedades religiosas da Igreja Católica na Terra Santa ainda não foi resolvida, apesar de progressos significativos registrados antes da visita de Bento XVI.

AFP |

O Vaticano exige o reconhecimento pleno e integral dos direitos jurídicos e patrimoniais de congregações católicas e a confirmação de isenções fiscais que a Igreja já possuía na época do nascimento do Estado de Israel e que as Nações Unidas haviam pedido ao Estado hebreu para honrar.

Assinado em 30 de dezembro de 1993, o acordo fundamental que consagrou a aproximação histórica entre Israel e o Vaticano havia sido confiado a uma comissão mista, encarregada de resolver os problemas econômicos e de propriedade da Igreja Católica, principalmente nos territórios ocupados pelo Estado judeu desde 1967.

Esta comissão nunca chegou a uma solução e paralisou as reuniões durante mais de dez anos.

O Vaticano denunciou várias vezes a política de anexação posta em prática pela municipalidade judaica em Jerusalém Oriental e as pressões exercidas sobre algumas congregações para que elas cedessem suas numerosas e importantes propriedades na Cidade Santa.

Um dos conflitos emblemáticos entre os dois Estados é o do Hospício das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo em Jerusalém que serve a população palestina e cuja propriedade é reivindicada por ambas as partes diante dos tribunais israelenses desde 1974.

Retomadas em 2004, as negociações passaram por altos e baixos e se aceleraram em abril deste ano com duas reuniões realizadas "em clima de grande cordialidade e num espírito de cooperação", segundo um comunicado comum.

A última reunião, no dia 30 de abril em Jerusalém, permitiu registrar "progressos significativos".

Os negociadores previram dar prosseguimento a seus esforços de cooperação e se encontrar no dia 10 de dezembro no Vaticano, o que significa que nenhum acordo deverá ser concluído durante a visita de Bento XVI a Israel de 11 a 15 de maio.

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