Visita de Sarkozy a Damasco reforça relações franco-sírias

A França e a Síria insistiram nesta quarta-feira, por ocasião da visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, na necessidade de seguir adiante com a normalização das relações entre os dois países, abrindo o caminho para uma colaboração sobre a paz no Oriente Médio e o tema sensível do programa nuclear iraniano.

AFP |

"Estamos construindo, aos poucos, com o presidente Bachar al-Assad uma relação de confiança para superar nossas divergências", declarou Sarkozy durante uma entrevista coletiva conjunta no palácio presidencial, no primeiro dia de sua visita à Síria.

"Queremos que essa evolução positiva continue", insistiu.

"A França ocupa um lugar especial no mundo", destacou Al-Assad, qualificando sua conversa com Sarkozy de "sincera e construtiva".

Os dois dirigentes aproveitaram a confirmação dessa normalização das relações para evocar os temas sensíveis da paz com Israel e do programa nuclear iraniano.

"Pedimos a Sarkozy que desempenhe um papel nas negociações indiretas" entre Damasco e o Estado hebreu, intermediadas pela Turquia desde maio, após uma interrupção total de oito anos, afirmou Al-Assad. "Essas negociações indiretas são o único jeito de chegar a negociações diretas", acrescentou.

Ele ressaltou, no entanto, que as negociações diretas "exigem a presença dos Estados Unidos junto com as outras partes envolvidas no processo". Washington inscreveu a Síria na lista dos países que apóiam o terrorismo.

O presidente francês, o primeiro chefe de Estado ocidental a visitar a Síria em cinco anos, disse que "a França está disponível para patrocinar essas discussões" e destacou que "a França está comprometida com a paz no Oriente Médio".

As negociações indiretas com o Estado hebreu, o "eixo principal" da cúpula franco-síria segundo Al-Assad, também estarão no centro da conferência que reunirá quinta-feira a França, a Síria, o Qatar e a Turquia, na capital síria.

Sarkozy pediu a Damasco que aproveite sua relação de "confiança" com o Irã para encontrar uma solução sobre o programa nuclear da República Islâmica.

"A arma nuclear para o Irã constitui uma ameaça para a paz na região e no mundo", ressaltou Sarkozy.

"No respeito das alianças tradicionais da Síria, esta pode contribuir para a paz", prosseguiu o dirigente francês, qualificando a situação de "grave".

O presidente sírio expressou o desejo de seu país de "contribuir para mostrar que o programa nuclear do Irã tem apenas fins pacíficos, e não militares".

"Vamos seguir adiante com o diálogo iniciado com a França e com o Irã e esperamos conseguir chegar a uma solução pacífica", completou.

Ainda no governo do então presidente Jacques Chirac, a França congelou suas relações com Damasco, após o assassinato, em fevereiro de 2005, do ex-premier libanês Rafic Hariri. A comunidade internacional acusou a Síria de estar por trás do atentado que matou Hariri, o que foi negado por Damasco.

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