Visão pessimista do Fed sobre economia obriga Bush a acalmar americanos

Céline Aemisegger e Macarena Vidal Washington, 15 jul (EFE).- A economia dos Estados Unidos atravessa agora um período de inúmeras dificuldades, disse hoje o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, que obrigou o chefe de Estado americano, George W.

EFE |

Bush, a lançar uma mensagem de tranqüilidade à nação.

Nesta terça-feira, Bernanke foi ao Congresso apresentar seu relatório semestral sobre a economia, no qual foi apresentou um cenário nada animador para o setor.

O encarregado da política monetária americana falou da grande pressão sobre os mercados financeiros, do aumento do desemprego e dos graves problemas enfrentados pelo setor hipotecário.

Segundo o presidente do Fed, essa conjunção de fatores freou o ritmo de crescimento da maior economia mundial durante o primeiro semestre e fez o custo de vida aumentar, criando um panorama inflacionário "incerto" e "pouco usual".

Os acontecimentos das últimas semanas mostraram "que muitos mercados financeiros e instituições continuam estando sob considerável pressão", parte dela decorrente das previsões para a economia e da incerteza sobre a qualidade do crédito, disse Bernanke.

O economista também se referiu aos problemas das gigantes hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae, das quais o Departamento do Tesouro americano teve que sair em socorro comprando ações e aumentando temporariamente a linha de crédito oferecida às duas companhias.

Bernanke admitiu que o crescimento econômico será mais lento até o fim do ano, devido, principalmente, à fragilidade do mercado imobiliário, aos elevados preços do petróleo e às dificuldades para a obtenção de crédito.

No relatório do Comitê de Mercado Aberto do Fed entregue hoje ao Congresso, o banco central americano revisou para cima os cálculos feitos em abril, com base em um esperado aumento do consumo.

Agora, o Fed prevê que, em 2008, o PIB crescerá de 1% a 1,6%, e não de 0,3% a 1,2%, como indicado há alguns meses.

Bernanke também reconheceu que as previsões para a inflação são "incertas", dada a possibilidade de os preços das matérias-primas subirem, cenário que colocaria em "grande risco" as projeções de inflacionárias.

Depois que o presidente do banco central americano começou a falar, a Casa Branca, apressadamente, convocou uma entrevista coletiva, na qual George W. Bush lançou uma mensagem tranqüilizadora e muito mais otimista em relação ao andamento da economia.

O chefe de Estado americano assegurou que o sistema financeiro do país é "tem bases sólidas" e que a economia "continua crescendo", embora lentamente.

"Entendo que há muito nervosismo, mas a economia continua crescendo, a produtividade é alta, o comércio cresce, as pessoas trabalham (...), e, à medida que nos depararmos com debilidades, as enfrentaremos", ressaltou.

No entanto, Bush admitiu que os problemas no setor imobiliário, no qual os preços não param de subir, persistem; que as dificuldades para obtenção de crédito são cada vez maiores; e que o aumento dos preços dos alimentos e da energia fizeram várias famílias passarem por "momentos difíceis".

O presidente do país também reconheceu que "não há uma solução rápida" para os altos preços do petróleo, cujo barril tem sido negociado acima dos US$ 140.

Porém, defendeu o fim do veto presidencial às prospecções petrolíferas em alto-mar, algo que, segundo disse, "não permitirá a produção de um barril amanhã", mas, a longo prazo, ajudará a reduzir a dependência dos EUA em relação ao petróleo estrangeiro.

Bush disse ainda que a medida mudará a "psicologia" dos mercados energéticos acerca da disponibilidade de petróleo no futuro, o que beneficiará os preços.

No entanto, o fim do veto presidencial é uma medida mais simbólica do que efetiva, já que o Congresso continua proibindo a exploração de petróleo na plataforma continental americana e não tem intenção alguma de rever seu posicionamento. EFE ca-mv/sc

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