Visão histórica preocupa Bush em última coletiva como presidente

César Muñoz Acebes. Washington, 12 jan (EFE).- George W.

EFE |

Bush pensou hoje em si mesmo como um nome nos livros de história e, em sua última entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, tentou dar forma a sua passagem pela Casa Branca, com a admissão de alguns erros.

Um Bush pensativo, e às vezes, combativo compareceu diante dos jornalistas com brincadeiras e um manto de nostalgia, a oito dias de entregar a chave de escritório mais poderosa do mundo a Barack Obama.

Ele não mostrou arrependimento de algumas de suas decisões, que defendeu com energia, como a política no Iraque e a guerra contra o terrorismo.

Em outras, no entanto, mostrou pontos claro-escuros e reconheceu erros, como o canto de vitória prematuro no país árabe, refletido em um cartaz pendurada em um porta-aviões em 2003, pouco mais de um mês após a invasão.

"Claramente pôr 'Missão Cumprida' em um porta-aviões foi um erro.

Passou a mensagem errada", disse.

Em seu discurso então, no porta-aviões Abraham Lincoln, Bush declarou solene: "as operações principais de combate no Iraque terminaram. Estados Unidos e seus aliados se impuseram na batalha".

"Abu Ghraib, obviamente, foi uma grande decepção durante minha Presidência", reconheceu também Bush.

O presidente afirmou que as torturas cometidas nessa prisão de Bagdá foram obra de um punhado de soldados e nenhum militar de alto categoria foi processado por elas.

Outro dos pontos obscuros de seu mandato foi a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, razão que ele utilizou para justificar a invasão.

"Não sei se devo chamar isso de erros ou não, mas foram coisas que não marcharam de acordo com os planos", manifestou Bush.

O governante não entoou o mea culpa, por outro lado, sobre a resposta ao furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans em 2005.

Bush, que foi criticado por demorar cinco dias a visitar a cidade, afirmou que aterrissar pessoalmente nessa cidade ou nas imediações teria requerido usar a Polícia para protegê-lo e não para auxiliar as vítimas.

Ele negou que a resposta federal tenha sido lenta, mas admitiu: "Poderíamos ter feito melhor as coisas? Absolutamente, sim".

Ao partido Republicano pediu que "seja aberto" para se recompor da derrota eleitoral e alertou que a oposição majoritária à reforma migratória levou alguns a concluir que "os republicanos não gostam dos imigrantes".

Tanto na entrevista coletiva, como em uma série de entrevistas concedidas nos últimos dias, Bush pediu examinar sua Presidência em sua totalidade e deixar aos historiadores tempo para ver o impacto de suas políticas.

A biblioteca presidencial de Bush estará na Universidade Metodista do Sul, em Dallas, no Texas, e nela o presidente espera que se avaliem o que considera suas conquistas dos oito anos.

Bush defendeu com brio sua política no Iraque, que definirá sua Presidência como nenhum outro tema, e sua decisão de enviar mais tropas para lá, em 2007.

Também justificou as medidas para proteger ao país após os atentados de 11 de setembro de 2001, que, para seus críticos, violaram direitos constitucionais.

Mas, Bush lembrou-os: "vocês se recordam de como eram as coisas por aqui após o 11 de setembro?".

E negou "energicamente" que a prisão de Guantánamo e os interrogatórios que muitos magistrados consideram tortura tenham danificado "a posição moral" dos Estados Unidos no mundo.

Em economia, admitiu ter se visto obrigado a separar alguns de seus princípios a favor do livre mercado depois que seus assessores o alertaram de que os Estados Unidos poderiam entrar em uma crise pior que a Grande Depressão dos anos 30.

Custou a Bush explicar o que fará após a Presidência. "Não me imagino com um gorro grande de palha e uma camisa havaiana sentado em uma praia, especialmente porque já não bebo".

Em 21 de janeiro de manhã, Bush se levantará em seu rancho de Crawford e fará café para sua esposa Laura, disse, e "será uma sensação diferente, já direi como é quando a sentir". EFE cma/jp

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