Visando prevenção de doenças, cientistas intensificam estudos de genes

César Muñoz Acebes. Washington, 2 jan (EFE).- Conservar sangue e tecidos de milhares de pessoas nos chamados biobancos, que constituem mapas genéticos, tem sido uma tendência de entidades médicas de todo o mundo.

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O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre os genes, o meio ambiente e as doenças, segundo explicou à Agência Efe Kathy Hudson, diretora do Centro de Genética e Política Pública da Universidade Johns Hopkins.

A pesquisadora afirmou que são armazenadas células brancas e tecidos que contém o genoma, a informação codificada do DNA.

A proposta não é a busca de cura do doador, e sim, investir no combate a doenças com um entendimento maior sobre os genes.

"Houve uma explosão de biobancos porque a tecnologia é barata.

Além disso, recolher mostras é uma tarefa fácil", disse Teri Manolio, assessora do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano dos Estados Unidos.

Só a China conta com amostras biológicas de cerca de 500.000 pessoas e Islândia, com mais de 200.000. O país nórdico possui uma população de 320.000 habitantes.

Já nos EUA, entidades privadas receberam centenas de milhares de mostras e o biobanco do Reino Unido, construído com dinheiro público, pretende chegar à marca de meio milhão de amostras.

Atualmente, há muitos estudos em andamento sobre os fatores determinantes de algumas doenças, do ponto de vista da genética.

A vantagem dos bancos biológicos é que o trabalho não é fixado em um gene em particular, mas no genoma completo de centenas de milhares de pessoas.

"Pelo grande número de participantes, não são vistos apenas vínculos óbvios entre genética e doença, mas também as relações tênues, que apontam os agentes moleculares que são responsáveis pelos males", disse Hudson.

Este trabalho também tem a função de realizar um registro exato da história biológica do ser humano.

Entretanto, a proliferação dos biobancos também gerou novos dilemas éticos.

A questão principal diz respeito a quem tem acesso à informação do banco de dados, que inclui o histórico médico dos doadores.

Atualmente, a regulamentação nos Estados Unidos ainda apresenta muitas lacunas, enquanto em outros países não há normas específicas.

Não está claro, por exemplo, se a Polícia tem direito de conhecer as características genéticas de um indivíduo específico.

O genoma pode indicar a propensão a alguma doença, além de revelar quem são os antepassados e, inclusive, os pais biológicos.

"Às vezes, é melhor não saber algumas coisas, pois entre 5 e 10% das crianças não são filhos de seus supostos pais", disse Isaac Kohane, diretor do biobanco do Children's Hospital de Boston.

O médico se queixou da falta de uma regulamentação para os biobancos, mas isso não lhe impede de seguir com sua pesquisa.

Os cientistas seguem em busca de melhores métodos de prevenção e tratamento de câncer, Alzheimer e doenças cardiovasculares, além de descobrir porque os genes determinantes do diabetes são tão comuns.

De quebra, este trabalho também permitirá que, no futuro, as pessoas possam conhecer a sua exata estrutura genética. EFE cma/plc

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