A gripe A (H1N1) matou 2.837 pessoas desde o aparecimento do novo vírus em março, a grande maioria no continente americano, anunciou nesta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Agora há pelo menos 2.837 mortes que podem ser atribuídas ao vírus pandêmico H1N1", indicou à imprensa Gregory Hartl, porta-voz da OMS.

O continente americano continua sendo o mais afetado, com 2.234 mortes, e a tendência segue em alta nas regiões equatoriais e tropical da América Latina (Equador, Venezuela, Peru e certas regiões do Brasil), segundo as informações obtidas pela OMS.

As regiões tropicais da América Central e do Caribe (Costa Rica, Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá e Cuba) contiuam afetadas, mas a maioria dos países registra um retrocesso das doenças respiratórias.

"O vírus continua ativo na África do Sul, assim como no sul e oeste da Austrália, apesar do fato de que o pico da estação de gripe invernal tenha passado na maioria das regiões temperadas do hemisfério sul (Chile, Argentina, Austrália e Nova Zelândia)", informa a organização.

O vírus também continua ativo nas regiões tropicais do sul e sudeste da Ásia, segundo a organização, que cita, entre outros, Índia, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Camboja, Sri Lanka e Indonésia. No entanto, Tailândia e Brunei "começaram a comunicar uma tendência em baixa no que se refere às doenças respiratórias", indica a OMS.

A cifra anunciada nesta sexta-feira representa um aumento de 652 mortos em relação ao balanço anterior, publicado há uma semana pela organização.

Isto se deve ao aumento de contágios e não a uma mutação do vírus para uma forma mais virulenta, explicou Hartl.

"Não, o vírus não se tornou mais virulento. É porque o número de casos aumentou", insistiu.

"O H1N1 continua sendo o vírus gripal dominante em circulação, tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul", indicou a OMS.

Em média, 61% dos casos de gripe assinalados no mundo se devem ao novo vírus, segundo os dados comunicados à OMS.

A OMS contabilizou 254.206 casos comprovados de gripe A (H1N1) por testes de laboratório, mas esta cifra está muito abaixo da realidade, já que os países mais afetados já não realizam testes sistemáticos.

Esta semana a OMS advertiu que não haverá vacinas suficientes contra o vírus e vários grandes laboratórios também admitiram que fabricarão menos vacinas contra a gripe H1N1 do que previam inicialmente, o que gera preocupação nos países que se preparam para um aumento de contágios com a chegada do inverno no hemisfério norte.

A diretora geral da OMS, Margaret Chan, calculou em 900 milhões de doses a capacidade anual de produção mundial de vacinas contra a gripe, para uma população mundial de 6,8 bilhões de habitantes.

Em julho, a OMS estimou que os grandes laboratórios poderiam produzir, a partir de meados de outubro, até 94 milhões de doses semanais, o que equivaleria a 4,8 bilhões de doses por ano.

Mas em meados de agosto, a organização revisou para baixo o número, indicando que deveria ser dividido por dois e até por quatro, com uma capacidade de produção de 1,2 bilhão de doses anuais.

Consultados pela AFP, os grandes laboratórios admitiram que o rendimento da cepa é menor do que o previsto.

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