Violentos incidentes na Bolívia dão início à greve geral contra Morales

La Paz, 19 ago (EFE).- A greve geral convocada pela oposição autonomista em cinco departamentos (estados) da Bolívia contra o Governo do presidente Evo Morales começou hoje com violentos protestos em Santa Cruz, no leste do país, onde vários grupos de grevistas agrediram policiais e jornalistas.

EFE |

A paralisação foi convocada nos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, governadas por ferrenhos opositores de Morales, a quem reivindicam a devolução da renda petrolífera cortada este ano para o pagamento de um bônus aos maiores de 60 anos.

Na madrugada de hoje em Santa Cruz, membros do grupo radical autonomista Unión Juvenil Cruceñista, que acompanhava o cumprimento da greve na cidade, agrediram dois policiais e danificaram seu veículo, informam emissoras de TV.

Também têm obrigado, de forma violenta, as pessoas a manterem fechados seus estabelecimentos desde a meia-noite, e percorrem as ruas em ônibus e caminhonetes para exigir o cumprimento da greve.

No bairro Plan 3000, em Santa Cruz, um setor da cidade afim ao Governo Morales, os meios de comunicação mostraram um cidadão identificado como um argentino que instigou um grupo a agredir jornalistas da emissora "Bolivisión".

O grupo agrediu os repórteres dizendo que eles eram da Unión Juvenil Cruceñista, apesar de se identificarem como jornalistas e também destruíram suas câmeras e veículos.

Em Tarija, grupos de jovens autonomistas ocupam desde a noite de segunda-feira os escritórios da Aduana Nacional, por isto o Governo ordenou que o Exército vigiasse todas as instituições do Estado nas cinco regiões grevistas.

A Aduana Nacional acusou uma dirigente do movimento autonomista de Tarija de ser a instigadora da ocupação de seus escritórios, mas por um problema particular, já que, supostamente, foi acusada de contrabando.

Em Chuquisaca, Beni e Pando, os dirigentes opositores fizeram uma greve pacífica, mas bloquearam as ruas para evitarem a circulação de veículos.

Os Governos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija estão nas mãos de líderes autonomistas que foram ratificados no referendo revogatório de mandatos do dia 10 de agosto, enquanto em Chuquisaca uma indígena quíchua opositora venceu as eleições regionais no final de junho.

Na consulta, Morales e o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, foram ratificados com apoio popular superior a 67%.

O conflito pela divisão da renda petrolífera para os departamentos remonta ao início do ano e é um dos temas que mais geram atritos na relação entre Morales e seus opositores, que acusam o Governo de querer enfraquecê-los economicamente.

Na semana passada, após o referendo, fracassou uma nova tentativa de diálogo para solucionar tanto o assunto da renda petrolífera quanto a compatibilização dos estatutos autônomos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija com o projeto constitucional de Morales. EFE ja/wr/fal

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