Violentos confrontos israelense-palestinos deixam 20 mortos em Gaza

Pelo menos 17 palestinos, entre eles um jornalista, e três soldados israelenses, foram mortos nesta quarta-feira nos confrontos mais violentos que conheceu a Faixa de Gaza desde o início de março.

AFP |

O presidente palestino Mahmud Abbas, em visita a Moscou, condenou "vigorosamente" as operações israelenses e conclamou o Estado hebreu a pôr um fim a estes ataques "imediatamente".

O ataque mais mortífero, uma operação aérea conduzida no centro do território, deixou pelo menos nove mortos palestinos, entre os quais duas crianças, e 17 feridos, segundo uma fonte médica palestina.

O médico Maawiya Hassanin, chefe dos serviços de emergência da Faixa de Gaza, disse que todas as vítimas deste ataque eram civis.

Segundo testemunhas, um helicóptero israelense disparou vários mísseis contra um grupo de combatentes que se preparava para atirar morteiros contra Israel. Entretanto, um ou vários destes mísseis acabaram atingido um grupo de palestinos reunidos no campo de refugiados de Bureij.

Os corpos de várias pessoas foram encontrados desmembrados, informou uma fonte médica palestina.

"Houve um ataque aéreo em Bureij contra homens armados, e atingimos nosso alvo", afirmou um porta-voz do Exército israelense.

Em outro ataque aéreo, um jornalista palestino da agência de notícias Reuters, Fadel Chanaa, 23 anos, foi morto. Um míssil caiu sobre seu veículo, que tinha as letras "TV", no setor de Bureij. Outros dois palestinos morreram no ataque.

"Tínhamos parado o carro na entrada de Bureij para filmar as operações. Desci, e um míssil atingiu um carro antes que Fadel saísse", relatou à AFP Wafa Barbakh, um assistente do cinegrafista.

Mais cedo, três soldados israelenses e quatro combatentes palestinos morreram em enfrentamentos na Cidade de Gaza.

Apesar dos ataques, Israel reiniciou suas entregas de combustível à única central elétrica de Gaza, suspensas na véspera após um ataque palestino cometido em 9 de abril contra o terminal de Nahal Oz, segundo um responsável israelense.

O braço armado do Hamas, movimento que controla a Faixa de Gaza, afirmou durante uma entrevista coletiva ter matado os três soldados israelenses numa "emboscada sofisticada".

"Durante esta emboscada, dois grupos separados de oito combatentes atacaram as forças israelenses, retirando-se depois sãos e salvos", afirmou em Gaza o porta-voz das Brigadas, Abu Obeida.

Durante os confrontos, os combatentes palestinos utilizaram mísseis antitanque e obuses de morteiro, e Israel respondeu com um ataque aéreo, informaram o Hamas e o Exército israelense.

Um quinto combatente foi morto e outros três ficaram feridos num ataque aéreo no norte da Faixa de Gaza, segundo uma fonte médica palestina e o Exército de Israel.

Os ataques israelenses se multiplicaram nos últimos dias, depois da operação conduzida por três grupos armados palestinos contra Nahal Oz. Dois guardas israelenses morreram naquele ataque.

No âmbito diplomático, oi ex-presidente americano Jimmy Carter vai se encontrar sexta-feira em Damasco com Khaled Mechaal, o chefe do Hamas, anunciou nesta quarta-feira Mahmud Zahar, um dirigente do Hamas em Gaza.

"Jimmy Carter vai se encontrar com Khaled Mechaal na sexta-feira", afirmou Zahar, que deve se reunir no Cairo com o ex-presidente americano junto com outro representante do Hamas, Said Siam.

Israel e Washington se opuseram a este encontro, já que consideram o Hamas uma organização terrorista.

Carter, que já iniciou sua viagem pela região, destacou na terça-feira que Israel se recusou a deixá-lo entrar na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.

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