Violentos combates na Cidade de Gaza, Israel rejeita apelos à trégua

Combates muito violentos entre soldados israelenses e combatentes palestinos foram registrados nesta segunda-feira pela primeira vez na Cidade de Gaza, com Israel continuando a rejeitar os constantes apelos ao fim de sua ofensiva militar, que já causou a morte de pelo menos 555 palestinos em dez dias.

AFP |

De acordo com testemunhas, dezenas de combatentes do Hamas, mas também da Jihad Islâmica, enfrentaram o Exército israelense no bairro de Chujaiya, no leste da Cidade de Gaza, pela primeira vez desde o início da ofensiva terrestre lançada na noite de sábado.

Muitas explosões foram ouvidas no setor, sobrevoado constantemente por helicópteros. O Hamas afirmou ter disparado foguetes antitanque contra pelo menos sete blindados israelenses.

Uma fonte militar israelense confirmou os combates na Cidade de Gaza, praticamente cercada pelos tanques.

Outros confrontos foram registrados no setor de Zeitun, assim como nos arredores das cidades de Jabaliya e Beit Lahya, no norte da Faixa de Gaza.

Depois da entrada dos tanques na Faixa de Gaza, o Exército israelense reforçou posições às portas de várias cidades do exíguo e superpovoado território palestino de 362 km², que está agora dividido em dois.

Nesta segunda-feira, 50 palestinos, entre eles 12 crianças, morreram nos bombardeios israelenses, segundo o chefe dos serviços de emergência de Gaza, Muawiya Hassanein.

Segundo ele, pelo menos 555 palestinos foram mortos e 2.700 feridos desde o início da operação militar israelense.

A situação humanitária continua piorando na Faixa de Gaza, onde se amontoam 1,5 milhão de pessoas. A maioria dos habitantes sofre com a escassez de água e comida e com os cortes de eletricidade.

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Antonio Gutierres, pediu a abertura das fronteiras para permitir a fuga dos moradores.

"A situação está muito difícil. Tememos pela vida de nossos filhos. Todos nossos vizinhos já deixaram suas casas", declarou Abu Jamal Khalifa, morador do bairro Al-Zeitun.

Apesar da ofensiva, os ativistas palestinos continuaram disparando foguetes contra Israel. Desde a noite de domingo, 32 foguetes caíram sobre o sul do Estado hebreu, deixando quatro feridos leves.

Quatro israelenses morreram em conseqüência destes disparos desde o início da ofensiva.

De acordo com o Exército de Israel, um soldado foi morto e outros 55 ficaram feridos desde o início da operação terrestre.

Apesar das mortes e da destruição, Mahmud al-Zahar, o mais influente líder do Hamas em Gaza, garantiu que "a vitória está chegando, graças a Deus".

Pouco depois, Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Ezzedin al-Qassam, o braço militar do Hamas, afirmou que "milhares" de combatentes estão prontos para enfrentar o Exército israelense nas ruas de Gaza. O Hamas enviou uma delegação ao Cairo para discutir sobre os meios de acabar com a guerra.

Paralelamente, os esforços diplomáticos continuam, com a presença na região do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de uma missão européia e de um emissário do presidente russo Dmitri Medvedev.

Porém, a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, jogou um balde de água fria nos partidários do fim iminente das hostilidades, ao afirmar que Israel está determinado a cumprir as metas de sua campanha na Faixa de Gaza. O objetivo declarado é acabar com os disparos de foguetes contra o sul de Israel.

"Combatemos o terrorismo, e não concluiremos um acordo com terroristas", avisou, referindo-se ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007. Na véspera, o primeiro-ministro, Ehud Olmert, também se recusara a pôr um fim à ofensiva.

Depois de sua reunião com o presidente palestino, Mahmud Abbas, em Ramallah (Cisjordânia), Sarkozy afirmou que dirá aos dirigentes israelenses que "a violência tem que acabar".

"Direi, com toda a sinceridade, ao presidente Shimon Peres e ao primeiro-ministro Ehud Olmert, que a violência tem que acabar", declarou o presidente francês, que se encontra com ambos ainda hoje em Jerusalém.

Sarkozy acusou o Hamas de ter agido de forma "irresponsável e imperdoável" ao decidir não renovar a trégua com Israel, que expirara em 19 de dezembro, e retomar os tiros de foguetes contra o Estado hebreu.

O Hamas respondeu acusando o presidente francês de "parcialidade total" em favor de Israel.

Abbas, esperado terça-feira em Nova York, na sede da ONU, pediu o fim "imediato e sem condições" da ofensiva israelense.

Em Washington, o presidente George W. Bush disse "entender" o desejo de Israel de se defender, e reiterou que qualquer cessar-fogo tem de incluir garantias de que o Hamas não atirará mais foguetes.

Em Nova York, o chanceler palestino, Riyad al-Malki, anunciou que os países árabes vão apresentar um novo projeto de resolução ao Conselho de Segurança para chegar a um cessar-fogo duradouro em Gaza.

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