Violência toma conta do Chile no aniversário do golpe militar

Santiago do Chile, 12 set (EFE).- Três pessoas morreram, cerca de 20 ficaram feridas e outras 206 foram detidas no Chile entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado, durante os tumultos que eclodiram nas comemorações do 36º aniversário do golpe militar de 1973, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

Do total de prisões, 161 ocorreram em Santiago, segundo o relatório entregue pelo subsecretário do Interior, Patricio Rosende e a subsecretária de Carabineiros, Javiera Blanco.

A maioria dos detidos é acusada de desordem nas ruas, mas também há episódios de roubos, uso de bombas incendiárias e de armas de fogo, entre outros delitos.

Entre os feridos, 19 são carabineiros, dez deles na Capital. De acordo com a instituição policial, todos saíram do hospital ainda neste sábado.

Rosende confirmou que uma das mortes foi um acerto de contas entre narcotraficantes.

Outra foi causada por imperícia na manipulação de uma escopeta em um bairro popular, onde estavam ocorrendo manifestações. O terceiro foi resultado da troca de tiros entre dois jovens, disse um funcionário.

Alexis Andrés Rojas García, de 23 anos, morreu após ser atingido por tiros na cabeça e no rosto durante os incidentes na localidade de Angela Davis, do município de Recoleta, ao norte de Santiago.

No município de Cerrillos, civis não identificados dispararam contra 20 pessoas que levantaram uma barricada e um jovem de 19 anos foi morto, deixando ainda outros três feridos.

Em Conchalí, um adolescente de 17 anos que manipulava uma escopeta de fabricação artesanal em uma barricada atingiu, acidentalmente, um jovem de 19 anos, informaram testemunhas.

Num outro episódio, Patrício Rodríguez, também de 19 anos, foi atingido por tiros durante uma manifestação no município de Huechuraba. Ele está internado com morte cerebral.

A distribuidora Chilectra disse que 103 mil casas estão sem energia elétrica em consequência do lançamento de correntes nos cabos de alta tensão.

A violência noturna contrastou com os atos pacíficos registrados na sexta-feira, quando a presidente Michelle Bachelet homenageou no palácio presidencial La Moneda partidos políticos e organizações sociais colocaram flores nos pés do monumento a Salvador Allende.

Neste sábado, cerca de 200 simpatizantes de Augusto Pinochet lembraram o golpe militar em uma praça do município de Providência, ato em que compareceu Lucía Pinochet Hiriart, primogênita de Augusto Pinochet, morto em 2006.

Pinochet Hiriart disse à rádio "Cooperativa" que sempre assiste às comemorações e reforçou a proximidade ao pai, de quem sente muita saudade.

Mario Montes, presidente da "Corporação 11 de setembro", lembrou e chamou de nossos os golpistas presos por violações aos direitos humanos.

"Exigir a liberdade dos nossos é um dever moral, não podemos descansar enquanto um dos nossos está preso. Vamos dar um basta neste circo vergonhoso", bradou.

O general reformado Guillermo Garín, ex-vicecomandante do Exército, criticou a intenção do Governo de reabrir as comissões de investigação das violações aos direitos humanos no período da ditadura.

"É cutucar novamente na ferida que já estava fechada", lamentou.

Durante a ditadura de Augusto Pinochet, pelo menos 3,2 mil pessoas morreram ou desapareceram nas mãos de agentes do Estado e outras 28 mil, segundo os resultados dessas comissões, foram torturadas, entre estas a atual presidente do país.

Os atos comemorativos terminarão neste domingo, com uma passeata dos familiares das vítimas da ditadura. EFE ns/dm

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