Violência sexual é problema de segurança, diz Rice à ONU

Por Patrick Worsnip NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O mundo reconheceu que a violência contra mulheres durante conflitos afeta a segurança e a estabilidade das nações, disse a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, ao Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira.

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O conselho deve adotar uma resolução patrocinada pelos EUA denunciando como tática de guerra o estupro e outras formas de violência sexual e pedindo a adoção pelos governos, as facções em guerra e as Nações Unidas de medidas para tentar pôr fim a essas práticas.

Presidindo o debate em nome dos Estados Unidos, Rice afirmou que discutiu-se durante muito tempo se a violência sexual é ou não uma questão de segurança e, portanto, algo que o Conselho de Segurança é autorizado a tratar.

'Tenho orgulho de dizer que hoje estamos respondendo a essa dúvida com um 'sim' retumbante', disse ela. 'Este organismo mundial reconhece agora que a violência sexual em zonas de conflito é de fato um problema de segurança.'

'Afirmamos que a violência sexual afeta profundamente não apenas a saúde e segurança das mulheres, mas também a estabilidade econômica e social de seus países.'

Os EUA, que preside o Conselho de Segurança este mês, escolheu a violência sexual para seu chamado debate temático.

Além de Condoleezza Rice, vários ministros representaram seus países, no lugar dos embaixadores que normalmente o fazem.

Ativistas dos direitos humanos dizem que os estupros já deixaram de ser um mero subproduto das guerras e se converteram em tática empregada propositalmente para desmoralizar e intimidar comunidades. Eles citam como exemplos as guerras na antiga Iugoslávia, na região de Darfur, no Sudão, e na República Democrática do Congo.

Rice também citou o caso de Mianmar, onde, afirmou, soldados regularmente violentam mulheres e meninas de apenas 8 anos de idade.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse ao conselho que a violência contra as mulheres 'alcançou proporções pandêmicas e indizíveis em algumas sociedades que procuram recuperar-se de conflitos.'

A resolução que está sendo debatida diz que a violência sexual é, em alguns casos, 'uma tática de guerra empregada para humilhar, dominar, atemorizar, dispersar e/ou deslocar à força os membros civis de uma comunidade ou grupo étnico'.

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