Violência se intensifica e ameaça reativar conflito na Ossétia do Sul

Misha Vignanski Tbilisi, 2 ago (EFE).- A nova escalada de violência que deixou seis mortos e mais de 20 feridos nas últimas 24 horas ameaça reativar o conflito na região separatista da Ossétia do Sul, na Geórgia, enquanto as partes se acusam mutuamente de começar as hostilidades.

EFE |

O Governo separatista da Ossétia do Sul, que controla 65% do território, denunciou hoje que soldados da Geórgia atacaram na noite da sexta-feira com lança-granadas e morteiros a aldeia de Satikar e a capital da região separatista, Tskhinvali, no maior bombardeio desde o estabelecimento do cessar-fogo na região, há quase 15 anos.

Segundo informações à Agência Efe do Comitê de Informação e Imprensa da Ossétia do Sul, seis pessoas morreram e 15 ficaram feridas nos ataques de ontem à noite.

Diante da gravidade da situação, as autoridades da Ossétia do Sul começaram a evacuação da população infantil de Tskhinvali para a república russa da Ossétia do Norte.

"A medida foi adotada para evitar baixas entre a população civil, já que a situação está se encaminhando para uma escalada da tensão", disse, em entrevista por telefone à Efe, um funcionário do Comitê de Informação e Imprensa da Ossétia do Sul.

O porta-voz, que não precisou o número de crianças que serão transferidas para a Ossétia do Norte, disse que os menores serão levados de ônibus.

Além disso, a Ossétia do Sul começou a evacuação de idosos, mulheres e crianças da aldeia de Dmenisi, nos arredores de Tskhinvali.

É a primeira vez que os separatistas recorrem à evacuação da população infantil da região do conflito.

O presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, ameaçou lançar uma campanha de recrutamento de voluntários nas repúblicas russas do norte do Cáucaso se a Geórgia não colocar fim a suas provocações armadas contra a população da região separatista.

Kokoiti fez essas declarações em Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte, região que manifestou sua disposição em ir em defesa da Ossétia do Sul.

Segundo Kokoiti, as Forças Armadas da Ossétia do Sul responderam com contundência aos ataques georgianos, cujas forças sofreram baixas que o Governo de Tbilisi está tentando esconder.

"Os georgianos sofreram baixas importantes perto das aldeias de Ergmnti e Sarabuk", disse o ministro do Interior da Ossétia do Sul, Mikhail Mindzayev.

O comandante das forças de paz da Geórgia, Mamuka Kurashvili, afirmou que os ataques foram lançados pelos separatistas e que a parte georgiana "se viu obrigada a responder ao fogo".

Em declarações a um grupo de jornalistas, Kurashvili disse que os separatistas dispararam com lança-granadas e morteiros contra aldeias e postos policiais georgianos, ataques nos quais, segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades da Geórgia, nove pessoas ficaram feridas.

O comando russo das forças mistas de paz (russas, georgianas e da Ossétia do Sul) acusou a parte georgiana do rompimento do cessar-fogo.

"Caso essas ações se repitam, toda a responsabilidade pelo agravamento da situação na região do conflito entre a Geórgia e a Abkházia recairá na parte georgiana", afirmou, em comunicado, o comando russo.

As autoridades georgianas defendem a substituição das forças de paz russas por um contingente policial internacional, iniciativa que conta com apoio da União Européia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo Tbilisi, as tropas de paz russas não podem ser consideradas forças de interposição, pois agem a favor dos separatistas.

A Ossétia do Sul, assim como a outra região separatista georgiana, a Abkházia, rompeu com a Geórgia no início dos anos 90, após um sangrento conflito civil, e manifestou seu desejo de se unir à república russa da Ossétia do Norte.

Segundo o Governo da Geórgia, tanto os separatistas ossetas quanto os da Abkházia contam com respaldo político, econômico e militar de Moscou, a quem Tbilisi acusa de fazer uma política de anexação das duas regiões. EFE mv/wr/an

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