Violência se estende na Bolívia e deixa ao menos 8 mortos

La Paz, 11 set (EFE).- Pelo menos oito pessoas morreram hoje na Bolívia em um confronto entre civis durante o terceiro dia seguido da onda de violência que atinge o país, castigado pelos protestos contra o Governo de Evo Morales em várias regiões autonomistas.

EFE |

O confronto mais grave aconteceu hoje próximo à cidade de Cobija, capital do departamento (estado) de Pando, onde grupos de opositores e de apoio ao Governo se enfrentaram com armas nesta madrugada.

Um engenheiro do Governo de Pando, um vereador da localidade de Porvir e dois camponeses morreram neste conflito, de acordo com um comunicado do Governo, que mais tarde elevou o número de vítimas para oito e o de feridos para 30.

O governador de Pando, o opositor Leopoldo Fernández, admitiu em declarações a um canal de televisão que a situação em sua região "foge do controle das autoridades" além de afirmar que "o caos e a anarquia" estão instaurados.

Os radicais autonomistas também invadiram hoje várias instalações de gás no sudeste boliviano e provocaram uma grande restrição no envio do produto para o Brasil que depois se solucionou, garantindo a exportação do combustível em 90%.

No entanto, a exportação de gás para Argentina - cerca de dois milhões de metros cúbicos por dia - foi cortada totalmente esta manhã devido à ocupação de uma fábrica no departamento de Tarija (sul) por parte de manifestantes.

Os protestos contra Morales começaram há mais de duas semanas quando os governadores regionais e dirigentes cívicos dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca anunciaram medidas de pressão para exigir a devolução dos impostos arrecadados com o petróleo.

Em janeiro, o Governo Morales cortou esta receita para utilizar em fundos voltados para idosos de todo o país.

Os reivindicaram ainda um regime autônomo para suas regiões e rejeitam frontalmente a nova Constituição proposta por Morales.

No início, os protestos consistiram basicamente em bloqueios de estradas nacionais e internacionais. Porém, na última terça-feira, a situação ficou mais radical na região leste de Santa Cruz, com a tomada de instituições públicas que levaram a saques.

A violência chegou também à região de Tarija no segundo dia de distúrbios, quando se concretizaram as ameaças de ataque às instalações de gás por meio de um atentado, que restringiu o envio do produto ao Brasil em 10%.

A crescente tensão vivida na Bolívia não serviu para que o Governo e seus opositores iniciassem um diálogo, e as posturas estão cada vez mais discrepantes.

O Governo denuncia que os autonomistas, e concretamente os fazendeiros do leste boliviano, estão perpetrando um atípico golpe de estado civil contra a democracia, além de afirmar que não responderá com violência às provocações, pois isso é o que buscam os opositores.

No entanto, Evo Morales advertiu hoje a seus opositores que "paciência tem limite".

Já os dirigentes autonomistas responsabilizam o Governo pela situação por não reconhecerem as reivindicações destas regiões e acusam o Executivo de atuar com violência perante os protestos dos últimos dias.

O Governo reforçou a presença policial e militar em algumas regiões, principalmente nas instalações de hidrocarbonetos, mas em alguns momentos também recuou para evitar maiores enfrentamentos.

Diante do agravamento da situação na Bolívia, os que são favoráveis ao diálogo e à negociação se multiplicaram hoje em diversos setores.

Os editoriais de vários jornais fizeram apelo às negociações, como fez a publicação boliviana "La Razón", que pediu diálogo "antes que as diferenças custem a vida" de mais bolivianos.

A Igreja Católica convocou hoje um dia nacional de oração pela paz e pela reconciliação para 19 de setembro.

Reunidos em Cochabamba, os bispos bolivianos expressaram sua "voz de alerta" por conta dos confrontos.

Segundo comunicado da Conferência Episcopal, a violência "ameaça arrastar todo o povo boliviano a situações irreparáveis das quais depois só haverá o que lamentar". EFE sam/rb/rr

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