Violência política deixa três mortos na Bolívia

Manifestantes que pediam renúncia de prefeito entram em choque com polícia no povoado de Yapacaní

Reuters |

Choques na quarta-feira entre duas facções do Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales, pela prefeitura do povoado de Yapacaní terminaram com três manifestantes mortos e mais de 60 feridos, incluindo 17 policiais, informou o governo boliviano nesta quinta-feira.

AFP
Manifestantes entram em confronto com a polícia no povoado de Yapacaní em 11/01
Os manifestantes que exigiam a renúncia do prefeito do povoado amazônico localizado no Departamento de Santa Cruz, leste do país, entraram em confronto com a polícia. A violência política parece mostrar novamente as crescentes dificuldades que o autoproclamado "governo de movimentos sociais" de Evo enfrenta para controlar seus partidários.

As mortes em Yapacaní ocorreram entre a tarde e a madrugada de quarta-feira, quando centenas tomaram a sede do governo municipal para expulsar o prefeito David Carvajal, que havia sido conduzido ao cargo dois dias antes por uma ordem judicial.

No último fim de semana, produtores de coca de uma região situada ao norte de La Paz, que são supostos aliados do governo, expulsaram um grupo de militares acusando-os de cometer abusos nas tarefas de redução de plantações de coca perto do povoado de Caranavi, onde outros protestos sindicais deixaram mortos em 2010.

"Ontem em Yapacaní houve uma morte nos confrontos na prefeitura e depois a polícia sofreu graves agressões quando se retirava do lugar. Fomos informados posteriormente da morte de outros dois manifestantes", disse o ministro de governo Wilfredo Chávez. "O governo pediu a formação imediata de uma comissão de fiscalização para determinar os responsáveis", completou.

O governo anunciou investigações similares para outros atos de violência - entre eles um notável caso de repressão policial a uma marcha indígena no ano passado -, mas nenhuma resultou em processos judiciais até agora.

Chávez antecipou que a polícia não será responsabilizada pelas mortes de quarta-feira, pois ao menos duas delas foram provocadas por tiros de escopeta que, segundo assegurou o ministro, os oficiais não portavam.

A mídia local divulgou versões contraditórias sobre uma suposta renúncia do prefeito Carvajal, que foi destituído por um conselho local em dezembro e substituído pelo oficial Zenobio Meneses. A violência surgiu esta semana, quando Carvajal recebeu amparo constitucional e tentou voltar à prefeitura.

O Movimento ao Socialismo, liderado por Evo, controla mais de dois terços dos mais de 200 municípios do país.

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