Uma reportagem do jornal espanhol ABC afirma nesta quarta-feira que a violência policial pode ofuscar o brilho do Brasil como economia emergente e sede de eventos esportivos internacionais como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.

Como outros artigos da imprensa estrangeira, a reportagem notícia o relatório da organização não-governamental Human Rights Watch, que denuncia as execuções extrajudiciais praticadas pelas polícias de Rio e São Paulo.

A ONG calcula que desde 2003 mais de 11 mil pessoas foram mortas em execuções da polícia paulista e fluminense. Grande parte delas entra nas estatísticas de morte "por resistência".

Para o "ABC", as estatísticas das duas maiores cidades brasileiras são "comparáveis à dos países em guerra".

"A imagem do Brasil como economia emergente e como sede de grandes eventos esportivos pode perder o seu brilho se o governo não encontrar uma saída para combater a violência de sua própria polícia."

Outros jornais

O tema ganhou espaço também em diversos outros jornais estrangeiros.

Na avaliação do jornal americano "The New York Times", o relatório da Human Rights Watch "levanta questões problemáticas" sobre a situação da segurança pública brasileira.

"A segurança no Rio se tornou uma preocupação internacional desde que o Comitê Olímpico Internacional anunciou, em outubro, que a cidade seria sede dos Jogos Olímpicos de 2016", diz o "NYT", lembrando a derrubada de um helicóptero da polícia por traficantes duas semanas após a decisão.

A reportagem destaca trechos do relatório no qual a polícia é acusada de fingir que presta socorro aos executados e de retardar a investigação das mortes.

Em declarações ao também americano "Washington Post", o porta-voz da ONG diz que as mortes "indicam um problema sério", que é casar essa imagem do Brasil com a de "um país moderno e democrático".

Segundo o porta-voz, embora autoridades locais e estaduais reconheçam o desafio, "existe no Brasil uma pressão para dar à polícia carta branca para combater o crime violento".

Já o "Los Angeles Times" afirmou que a "estatística arrepiante" levou a ONG a pedir reformas no sistema.

No artigo, as duas polícias são caracterizadas como "corroídas por corrupção ao estilo da máfia".

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