Violência no Quirguistão expulsa 400 mil de suas casas

Conflitos étnicos na região mata ao menos 191 pessoas, segundo números oficiais

iG São Paulo |

A recente onda de violência étnica no sul do Quirguistão provocou um exôdo em massa de pessoas, com um saldo de pelo menos 400 mil refugiados e deslocados, informou nesta quinta-feira a Agência de Coordenação para Assuntos Humanitários da ONU. A violência étnica entre quirguizes e usbeques deixou 191 mortos e cerca de 2 mil feridos, segundo um novo balanço do ministério quirguiz da Saúde.

"Segundo as últimas estimativas das agências da ONU, há pelo menos 400 mil pessoas refugiadas e deslocadas por causa da violência entre membros das etnias quirguis e usbeque que explodiu na semana passada o sul do Quirguistão", explicou Elisabeth Byrs, porta-voz da agência da ONU.

"Nossa estimativa do número de deslocados é agora de 300 mil pessoas", acrescentou, referindo-se a um balanço da situação estabelecido pelas agências humanitárias da ONU. O número de refugiados no Usbequistão é calculado entre 75 mil e 100 mil pessoas, contando apenas os adultos, segundo a porta-voz. A agência afirmou ainda que a ajuda humanitária começou a chegar a conta-gotas aos refugiados usbeques.

Retomada de controle

O vice-presidente do governo provisório do Quirguistão, Azimbek Beknazarov, declarou nesta quinta-feira que as autoridades retomaram o controle de Osh, cidade no sul do país, onde na sexta-feira passada explodiram confrontos étnicos que causaram pelo menos 191 mortes, segundo números oficiais.

"A cidade começa a trabalhar", disse Beknazarov em entrevista coletiva na qual, no entanto, admitiu que na quarta-feira à noite houve alguns tiroteios nos subúrbios, informou desde Biskek a agência oficial russa "RIA Novosti".

O vice-presidente destacou que o hoverno provisório conta com forças suficientes para controlar a situação. "Ismail Isakov (ministro da Defesa interino e delegado especial do hoverno para a zona sul do país) disse que não será necessário enviar mais soldados", disse Beknazarov.

Há apenas cinco dias, a presidente interina do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, tinha pedido à Rússia o envio urgente de forças de paz para dar fim aos confrontos. No entanto, o governo russo respondeu que considerava o conflito um "assunto interno" do Quirguistão, embora tenha se mostrado aberto ao estudo da solicitação pela Organização do Tratado de Segurança Coletiva.

Quando quirguizes e uzbeques se enfrentaram em 1990, antes do colapso da União Soviética, o então líder do Kremlin, Mikhail Gorbachov, enviou tropas para deter a matança.

Conflito étnico

O Quirguistão, uma ex-república soviética de maioria muçulmana que abriga bases militares dos Estados Unidos e Rússia, está envolvido no caos desde que um confronto em abril depôs o presidente deste país da Ásia Central dividido etnicamente, levando ao poder um governo interino.

Com uma superfície de quase 200 mil quilômetros quadrados, o país tem uma população de 5,3 milhões de habitantes, dos quais cerca de 14% são usbeques, que residem principalmente no sudoeste do país, região atingida pela onda de violência.

Os enfrentamentos de origem étnica entre usbeques e quirguizes se intensificaram em 10 de junho, na maior onda de violência vivida no país em 20 anos. A violência diminuiu nos últimos dias, mas se espera que um referendo constitucional programado para a próxima semana reacenda as tensões.

A Rússia e o Ocidente temem que a violência acabe provocando um vazio de poder, que milícias islâmicas e grupos de crime organizado poderiam aproveitar para atuar.

* Com Reuters e EFE

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