Violência no Quênia mata pelo menos 12

Confrontos entre policiais e integrantes de uma milícia acusada de cometer vários crimes no Quênia provocam uma nova onda de violência no país. Segundo a agência de notícias AFP e uma estação de rádio local, pelo menos 12 integrantes do grupo Mungiki teriam sido mortos pela polícia.

BBC Brasil |

A polícia diz que centenas de integrantes do Mungiki realizaram manifestações na capital Nairóbi e em várias cidades da região do Vale Rift, bloqueando estradas, queimando pneus e atacando motoristas.

Os manifestantes também teriam provocado o descarrilamento de um trem em Nairobi e colocado fogo em um prédio da polícia.

Os integrantes do Mungiki protestam contra o assassinato da mulher de um de seus líderes, que eles atribuem à polícia. O corpo decapitado de Virginia Nyaiko foi encontrado durante o fim de semana.

O porta-voz da polícia do Quênia, Eric Kiraithe, negou qualquer envolvimento e disse que as "acusações são totalmente falsas".

Mungiki
Originalmente uma seita religiosa, o grupo Mungiki surgiu nos anos 80, mas atualmente é acusado de operar como uma gangue criminosa e foi responsabilizado por uma série de assassinatos.

Algumas facções do Mungiki dizem ser uma manifestação moderna do movimento Mau Mau, que lutou pela independência do Quênia nos anos 50, e afirmam ter ligações com políticos importantes do grupo étnico Kikuyu, o mesmo do presidente Mwai Kibaki.

Uma onda de assassinatos atribuídos ao grupo no ano passado levou a uma grande operação da polícia, mas grupos de direitos humanos condenam o que chamam de assassinatos extrajudiciais contra integrantes do Mungiki.

Mais de mil pessoas morreram em uma onda de violência em janeiro, desencadeada por disputa nas eleições. O governo foi acusado de colaborar com a violência ao contratar a milícia Mungiki para proteger a comunidade Kikuyu, mas nega qualquer irregularidade e diz que vem tentando acabar com as ações do grupo.

A acusação está sendo investigada pelo Parlamento.

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