Violência no Congo forçou fuga de 45 mil, diz ONU

A ONU disse nesta quarta-feira que até 45 mil pessoas já deixaram campos de internamente deslocados no leste da República Democrática do Congo, fugindo de rebeldes de etnia tutsi que estão avançando pela região. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), as pessoas deixaram dois campos na região do vilarejo de Kibati e seguiram para Goma, capital da província de Kivu do Norte, que fica a cerca de 10 km dos campos.

BBC Brasil |

A Acnur disse que entre as pessoas estão 30 mil que haviam chegado a Kibati no dia anterior. Eles temem serem vítimas do conflito entre tropas do governo e os rebeldes liderados por Laurent Nkunda.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que o conflito atual no Congo está "criando uma crise humana de dimensões catastróficas".

Confronto na fronteira
O correspondente da BBC no Congo Thomas Fessy disse que uma multidão chegou a Goma nesta quarta-feira.

Segundo ele, tropas do governo, com o apoio da ONU, e rebeldes entraram em confronto a cerca de 30 km ao norte de Goma, na cidade de Kibumba.

Após o confronto em Kibumba, perto da fronteira com Ruanda, os soldados congoleses foram forçados a recuar, indo também para Goma, criando um sentimento de pânico na população, disse Fessy.

Em entrevista à BBC, Nkunda anunciou ter declarado um cessar-fogo e pediu que o governo faça o mesmo.

"Nós não estamos longe de Goma, mas como há um estado de desestabilização na cidade nós decidimos parar de atirar e unilateralmente proclamar um cessar-fogo."
Ele disse que seu objetivo com a ofensiva é proteger a comunidade tutsi que vive na região dos ataques de rebeldes de etnia hutu - alguns dos quais são acusados de participar do genocídio em Ruanda, em 1998.

Ruanda, que é governada por um presidente tutsi, nega alegações de que está dando qualquer apoio aos rebeldes.

Mas Fessy, que esteve em Kibumba durante o conflito, disse ter ouvido disparos vindo da fronteira com Ruanda e tanques congoleses revidando com tiros na direção da fronteira.

ONU
O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, pediu que a ONU envie mais tropas para o país, onde já mantém 17 mil soldados - a maior missão de paz das Nações Unidas em todo o mundo.

O Conselho de Segurança da ONU iria discutir a situação no país ainda nesta quarta-feira.

A França, país que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, disse que apóia enviar mais soldados para a região.

O ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, disse que até 1,5 mil soldados podem ser enviados "em nome da Europa dentro de oito ou dez dias", mas ressaltou que não sabe se outros países apoiariam a idéia.

"Na verdade eu não sei. Todas as nações estão muito relutantes", disse.

Um acordo de cessar-fogo entre vários grupos rebeldes congoleses e o governo foi assinado no fim de janeiro.

Mas, embora tenha assinado o tratado, Laurent Nkunda se recusou a abandonar as armas e o cessar-fogo foi interrompido em agosto.

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