Violência na Mongólia após divulgação dos resultados das eleições legislativas

Episódios de violência foram registrados nesta terça-feira à noite em Ulan Bator, capital da Mongólia, onde milhares de manifestantes contestaram o anúncio da vitória dos ex-comunistas nas eleições legislativas de domingo.

AFP |

Na tarde de hoje, o presidente Nambariin Enkhbayar decretou quatro dias de estado de exceção.

Cerca de 6.000 manifestantes entraram em confronto com a Polícia à noite nas imediações da sede do Partido Popular Revolucionário Mongol (PPRM), que foi destruída pelo fogo, soltando uma espessa fumaça sobre o centro da cidade, segundo um correspondente da AFP e testemunhas.

A Polícia disparou balas de borracha e atirou bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão, revoltadas com o anúncio da vitória reivindicada pelos ex-comunistas mesmo sem o anúncio oficial da comissão eleitoral nacional.

Os manifestantes, que arremessavam pedras contra os bombeiros, conseguiram passar pela barreira policial. Eles entraram no edifício quebrando vidros e jogaram móveis e vários objetos pelas janelas.

Cerca de sessenta pessoas ficaram feridas, principalmente na cabeça, e foram hospitalizadas, segundo a TV pública.

O governo se reuniu com urgência à noite, com a presença dos líderes dos dois principais partidos, o PPRM e os Democratas. Por volta de 23h30 (11h30 de Brasília), milhares de pessoas permaneciam reunidas no centro, e os policiais ainda tentavam desmobilizá-las, segundo o correspondente da AFP.

"Viemos essa noite para defender nossa liberdade", explicou Enkhamgalan Dorjsuren, 34 anos.

"Apenas um partido fez campanha nessa eleição, não é uma verdadeira eleição", declarou um manifestante, Galsan-Namjillin Sukhbaatar, pouco antes do início da violência. "Os comunistas não devem ganhar. Defendo a democracia e os direitos humanos, mas isso não é o que vejo hoje na Mongólia."

Antes dos confrontos, o primeiro-ministro Sanjagiin Bayar pediu calma. "Devemos aguardar os resultados definitivos. (...) O outro partido nos acusou de ter comprado a eleição, é mentira. A eleição foi livre e justa", declarou, acusando a oposição de incitar à violência.

"A violência não é nossa culpa", defendeu-se o líder dos Democratas, Tsakhiagiin Elbegdorj. "É culpa do PPRM que comprou esta eleição. Isso que deixou as pessoas revoltadas".

O antigo Partido Comunista, que governou o país de 1921 a 1996, assegurou na segunda-feira que havia obtido a maioria no Parlamento com pelo menos 44 assentos de 76.

A comissão eleitoral nacional havia, entretanto, considerando na segunda-feira qualquer declaração de vitória prematura. "Os partidos políticos anunciam números não confirmados e comemoram cedo demais", havia declarado uma autoridade eleitoral, levando a entender que um resultado poderia ser anunciado nesta terça-feira.

Um instituto de pesquisas independente também anunciou a vitória do PPRM.

Depois das eleições legislativas de 2004, os democratas ficaram quase empatados com os ex-comunistas, formando com estes uma coalizão que desencadeou uma paralisia política.

A Mongólia, imenso país que tem apenas 2,6 milhões de habitantes, faz fronteira com Rússia e China. No ano passado, seu crescimento chegou a 9,9% graças sobretudo a vastas reservas de cobre e ouro.

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