Violência na África do Sul chega à Cidade do Cabo

A violência contra imigrantes estrangeiros se espalhou na África do Sul, chegando até Strand, a leste da Cidade de Cabo, onde lojas de somalis foram saqueadas provocando a fuga de cerca de 500 pessoas, na noite de quinta-feira. Uma reunião no assentamento de Dunoon, na região, terminou em violência quando um grupo de pessoas começou a saquear lojas de zimbabuanos e outros estrangeiros.

BBC Brasil |

Um nigeriano disse ao jornal Die Burger que oito pessoas entraram em sua loja e levaram tudo.

Mais de 40 pessoas já morreram e 15 mil procuraram abrigo desde que a violência explodiu no bairro de Alexandra, em Johanesburgo, quase duas semanas atrás.

Teme-se que a violência tenha conseqüências a longo prazo. O chefe do setor de turismo na África do Sul, Moeketski Mosola, disse à BBC que o governo está alarmado com a situação, especialmente quando o país se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2010.

"Estamos extremamente preocupados com a situação, é preciso lembrar que 67% dos turistas vindos para a África do Sul são africanos", disse ele.

Cidade do Cabo
A polícia está patrulhando várias regiões da Cidade do Cabo, onde fica a sede do Legislativo do país.

Na quinta-feira, o governo enviou soldados para coibir a violência em Johanesburgo - a primeira vez que soldados foram usados para controlar situações violentas na África do Sul desde o fim do Apartheid, em 1994.

A Cidade do Cabo foi palco de ataques xenófobos pela primeira vez dois anos atrás, quando a comunidade somali - especialmente os proprietários de lojas - foi o alvo dos ataques.

A polícia também relatou incidentes na província Noroeste, onde três pessoas foram esfaqueadas e dezenas de moçambicanos e somalis fugiram de suas casas.

Também houve choques em Durban, no início da semana, mas a violência maior se concentrou na região de Gauteng, nos arredores de Johanesburgo, que agora parece estar relativamente calma.

Segundo a correspondente da BBC Karen Allen, houve cenas de caos e choques em uma delegacia de Johanesburgo, enquanto moçambicanos tentavam entrar em ônibus fretados pela embaixada de Moçambique para levá-los de volta para casa.

Alguns zimbabuanos também decidiram voltar, preferindo a o risco da violência em sua terra natal do que na África do Sul.

Uma zimbabuano disse à BBC que decidu deixar Johanesburgo depois de testemunhar uma série de ataques xenófobos.

A mulher, de 36 anos, disse ter visto um grupo armado jogar gasolina em um imigrante moçambicano e atirá-lo em seu barraco, em chamas.

"Os gritos do moçambicano queimando ainda me assombram. Quando fecho meus olhos e tento dormir, vejo o homem gritando por ajuda. Mas ninguém o ajudou", disse a mulher.

"Eu nunca vi tanta barbárie."

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