Violência marca enterro de jovem na Grécia; crise de confiança ameaça Governo

Adriana Flores Borquez. Atenas, 9 dez (EFE).- Os apelos do Governo grego para que a população ficasse calma não impediram que o enterro do adolescente morto pela Polícia no último sábado fosse marcado por novas manifestações, atos de vandalismo e confrontos com a Polícia.

EFE |

Uma nova batalha campal sacudiu hoje os subúrbios de Atenas após o funeral de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, cuja morte desencadeou tanto uma onda de violência como uma grave crise política no país.

Por causa dos tumultos perto do local do enterro, a Polícia teve que utilizar bombas de gás lacrimogêneo para conter e dispersar vândalos que saqueavam lojas e destruíram carros próximos a um centro comercial.

"Ninguém tem o direito de utilizar este fato trágico como uma desculpa para ações de violência contra cidadãos inocentes, seus bens, contra a Polícia e a democracia", afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro do país, Costas Caramanlis, após uma reunião com o presidente, Carolos Papoulias, e de outras duas com seu gabinete.

Depois de terem detido cerca de 150 manifestantes hoje e outros 200 ontem, as autoridades disseram que não tolerarão mais vandalismo e violência.

Caramanlis também pediu unidade política para diminuir a credibilidade dos protestos, e solicitou que "todo o mundo político condene de forma unânime e categórica os responsáveis" pelos atos de selvageria, "que devem ser isolados".

Giorgos Papandreu, o líder da oposição majoritária do Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok), respondeu que "o povo perdeu a confiança no Governo" e que a única coisa que ele pode fazer é "renunciar".

O assassinato de Grigoropulos, cujas circunstâncias ainda estão sendo investigadas, catalisou o descontentamento existente na Grécia com a crise econômica, os escândalos de corrupção no Governo e o desemprego, disseram vários analistas.

Hoje, milhares de estudantes se uniram às manifestações contra a morte de seu colega, enchendo as principais avenidas da capital.

O protesto, que seria pacífico, acabou manchado pela violência, já que jovens radicais se misturaram aos estudantes e enfrentaram a Polícia, que teve que lançar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Na confusão, um grupo jogou pedras em várias vitrines e danificou veículos estacionados.

"É uma vergonha. Poderiam ter me matado", declarou Diana, uma das dez mil pessoas que, acompanhadas por seus pais e professores, foram para o centro de Atenas protestar pacificamente contra as autoridades.

Nos confrontos, diversas testemunhas disseram ter visto vários policiais "atirando muitas vezes para o ar com revólveres comuns".

Outros enfrentamentos foram registrados no porto de Salônica, em Patras, na ilha de Creta e na localidade de Ioanina.

A Prefeitura de Atenas informou que 322 lojas foram destruídas nos últimos três dias. Já em Salônica, calcula-se que há cerca de cem estabelecimentos comerciais danificados. EFE afb/sc

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