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Violência marca campanha eleitoral no Nepal

Manesh Shrestha Katmandu, 9 abr (EFE).- A campanha para as eleições à Assembléia Constituinte do Nepal foi marcada por episódios de violência política, étnica e religiosa que causaram inquietação na ONU, encarregada de supervisionar o processo de paz.

EFE |

"As principais ameaças para a campanha pacífica foram os contínuos atos de violência por parte de grupos armados no Terai (sul) e a obstrução, a intimidação e a violência de partidários e candidatos das legendas políticas, assim como a intimidação dos eleitores", denunciou a ONU na semana passada em comunicado.

O Nepal não passa um dia sem notícias de choques entre militantes de vários partidos em todo o país, com acusações mútuas de impedir comícios e outros atos de campanha, até o ponto de se registrarem pelo menos 20 mortes, entre elas as de dois candidatos.

Embora o Governo tenha alcançado um acordo com os partidos do conflituoso sul do país, vários grupos armados continuam agindo na região com a reivindicação de uma maior autonomia.

Com a reivindicação de que o Nepal continue sendo um reino hindu e o objetivo de dificultar as eleições, um grupo dessa religião detonou uma bomba caseira em uma mesquita do sul do Nepal durante as orações em 29 de março, o que causou a morte de dois muçulmanos.

No entanto, na maioria dos casos, os enfrentamentos têm como um dos protagonistas o Partido Comunista do Nepal-Maoísta (CPN-M), ex-rebeldes que assinaram um acordo de paz em novembro de 2006 para participar das eleições à Assembléia, que abolirá a Monarquia e preparará uma nova Constituição.

"Não digo que alguns dos nossos amigos não tenham cometido erros.

Talvez tenhamos a ressaca da guerra de ontem", justificou durante uma reunião convocada pela Comissão Eleitoral o presidente do CPN-M, Pushpa Kamal Dahal, mais conhecido como "Prachanda".

Preocupada com a violência, a Comissão Eleitoral reuniu na semana passada os líderes dos três principais partidos do país e lhes pediu um forte controle de seus militantes com vistas às eleições, que já foram adiadas em duas ocasiões.

A precária situação levou o primeiro-ministro Girija Prasad Koirala a advertir no encontro que qualquer pequeno incidente poderia ter "sérias conseqüências".

Prachanda, Koirala e o líder do Partido Comunista do Nepal-Marxista-Leninista Unido (CPN-UML), Madhav Kumar Nepal, assinaram no último dia 1º um pacto por uma campanha sem violência, no qual prometeram punir seus partidários que perpetrassem ataques.

A Missão das Nações Unidas no Nepal (Unmin), que supervisiona o processo de paz e as eleições, também demonstrou sua preocupação com a presença de ex-combatentes maoístas no processo eleitoral e nos atos de campanha.

"A natureza violenta da campanha não é surpreendente. O cenário maoísta protagonizou uma violenta insurgência por dez anos, é difícil para eles mudar sua forma de agir", disse à Agência Efe o editor do jornal local "Kantipur", Narayan Wagle.

No entanto, o irônico é que até agora a maioria dos mortos durante a campanha é maoísta.

"No último mês, oito (de nossos) militantes morreram", disse o ministro Hisila Yami, membro do CPN-M.

Os maoístas culparam pelas mortes as forças próximas ao rei Gyanendra, que em princípio perderá seu trono após a formação da Assembléia Constituinte.

"A violência não deveria acontecer nestas eleições", disse o líder da Unmin, Ian Martin.

Embora o acordo entre os principais partidos possa ajudar a atenuar a violência, a Comissão Nacional de Direitos Humanos já pediu que todos façam o possível pela paz, afirmando publicamente que os principais atores das eleições devem ser "tolerantes" e "responsáveis". EFE ms/mh

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