Violência entre Israel e palestinos explode em três fronteiras

Há pelo menos 12 mortos e centenas de feridos nas fronteiras de Israel com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza

iG São Paulo |

AFP
Palestinos carregam garoto ferido durante confronto com tropas de Israel nas Colinas do Golan, na fronteira com a Síria
A violência explodiu no domingo nas fronteiras de Israel com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza, deixando pelo menos 12 mortos e centenas de feridos. As mortes aconteceram em uma onda sem precedentes de manifestações enquanto palestinos lembravam a fundação de Israel em 1948, evento que qualificam de "Nakba" (Catástrofe).

Tropas israelenses dispararam contra manifestantes em três locais distintos para impedir que multidões atravessassem as fronteiras de Israel, no confronto mais mortífero desse tipo em anos.

Em um dos incidentes mais sérios, o Exército israelense afirmou que milhares de manifestantes se aproximaram da fronteira síria com as Colinas do Golan, controladas por Israel, e centenas romperam a cerca.

Os soldados dispararam para impedir seu avanço, deixando ao menos dois mortos e 170 feridos. A agência Associated Press, porém, fala em quatro mortos.

Foi uma rara incursão a partir do lado altamente controlado da Síria, o que fez as autoridades israelenses acusarem Damasco de fomentar a violência em uma tentativa de tirar a atenção da repressão mortífera do regime contra manifestantes que pedem a queda do regime do presidente Bashar al-Assad.

"O regime sírio intencionalmente tenta tirar a atenção internacional da repressão brutal contra seus cidadãos para incitar contra Israel", disse a coronel Avital Leibovich, uma porta-voz militar israelense.

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, disse ter ordenado que o Exército agisse com a "máxima contenção". "Mas ninguém deve se enganar. Estamos determinados a defender nossas fronteiras e soberania", disse em um breve pronunciamento transmitido ao vivo nas estações de TV de Israel.

Os tumultos deste domingo - que aconteceu depois de ativistas terem usado o Facebook e outros sites para mobilizar os palestinos e seus simpatizantes em países vizinhos para marchar para as fronteiras de Israel - marcaram a primeira vez que as táticas de protesto que varreram o mundo árabe em meses recentes foram dirigidas a Israel.

No incidente mais mortífero, dez foram mortos e 112 ficaram feridos quando marcharam do Líbano em direção à fronteira norte de Israel, de acordo com autoridades de segurança libanesas. O Exército de Israel disse que os soldados abriram fogo quando os manifestantes tentaram romper a cerca para entrar em território israelense.

AP
Palestinos protestam na fronteira de Gaza
Os militares também sugeriram que o Exército do Líbano, que fez disparos para o ar para dispersar os manifestantes, pode ter sido responsável por algumas das mortes. Segundo o Exército de Israel, 13 soldados ficaram levemente feridos nos choques no Líbano e na Síria.

Na tensa fronteira sul de Israel com a Faixa de Gaza, segundo a Associated Press, paramédicos palestinos disseram que uma pessoa morreu e 65 ficaram feridos quando manifestantes tentaram se aproximar da altamente fortificada fronteira com Israel.Um segundo palestino foi morto em um incidente separado. Segundo o Exército israelense, ele tentou colocar uma bomba ao longo da cerca. A rede de TV CNN, porém, só menciona 70 feridos nos confrontos na Faixa de Gaza.

Em Tel Aviv, o centro comercial de Israel, um caminhão conduzido por um israelense árabe foi jogado contra veículos e pedestres, matando um homem e deixando 17 feridos. A polícia estava tentando determinar se o incidente foi um acidente ou um ataque. Testemunhas disseram que o motorista, que foi preso, descontrolou-se com o caminhão no meio do trânsito do centro da cidade.

Alerta

As forças de segurança de Israel estavam em alerta contra violência neste domingo, o dia em que os palestinos lembram a "Nakba", ou catástrofe, da fundação de Israel em uma guerra de 1948, quando centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram forçados a abandonar suas casas.

No povoado druso de Majdal Shams, nas Colinas do Golan - capturadas da Síria por Israel em 1967 - , o major Dolan Abu Salah disse que entre 40 e 50 manifestantes do Nakba vindos da Síria passaram à força pela barreira da fronteira.

AP
Palestino é imobilizado pela polícia de Israel durante protesto em Jerusalém

Centenas de manifestantes invadiram o fértil vale verde que marca a área da fronteira, agitando bandeiras palestinas. Tropas israelenses tentaram consertar a barreira rompida, disparando contra o que o Exército descreveu como infiltradores.

"Estamos vendo aqui uma provocação iraniana, nas fronteiras síria e libanesa, para tentar explorar as comemorações do dia da Nakba", disse o porta-voz chefe do Exército, tenente-coronel Yoav Mordechai.

A Síria abriga 470 mil refugiados palestinos. Em anos anteriores, sua liderança, que agora enfrenta turbulência interna aguda, impediu manifestantes de chegar à cerca da fronteira.

Em um protesto de Nakba na Cisjordânia ocupada, jovens palestinos atiraram pedras contra soldados de Israel, que dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha durante um enfrentamento no posto de inspeção militar nos arredores da cidade de Ramallah, local de tensões frequentes.

Um adolescente palestino foi morto a tiros em Jerusalém durante protestos na sexta-feira. A polícia disse que não ficou claro quem o baleou e que está investigando o caso. O incidente ocorreu no bairro tenso de Silwan, em Jerusalém oriental, onde ocorrem incidentes frequentes de violência entre palestinos que atiram pedras em policiais israelenses e colonos judeus.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital do Estado que pretendem criar na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

*Com AP e Reuters

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