Violência ensombrece chegada do enviado dos EUA ao Oriente Médio

Um soldado israelense morreu nesta terça-feira e um palestino perdeu a vida vítima de disparos israelenses durante o que foi considerado o pior episódio de violência desde que entrou em vigor o cessar-fogo na Faixa de Gaza, no dia 18 de janeiro, encobrindo a chegada, que deveria ser triunfal, do novo enviado especial americano para o Oriente Médio.

AFP |

O exército israelense confirmou a morte de um suboficial e o ferimento em três soldados "quando foi acionado um artefato explosivo à passagem de uma patrulha do lado israelense do setor de segurança da Faixa de Gaza, ao norte de Kisufim", informou à AFP um porta-voz militar.

Pouco depois, os tanques e helicópteros israelenses abriram fogo em direção ao sul da Faixa de Gaza e mataram Anwar Al Dreim, um palestino de 24 anos, confirmaram testemunhas e fontes médicas do hospital Nasser de Khan Yunis.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que seu país "responderá" ao ataque.

"É um assunto sério. Não podemos aceitar; responderemos", declarou Barak, segundo comunicado do ministério da Defesa.

Estes incidentes acontecem justamente antes da chegada ao Oriente Médio do novo enviado especial do presidente de Estados Unidos Barack Obama - George Mitchell - para uma primeira visita à região.

Mitchell está sendo esperado no Cairo e visitará, em seguida, Israel, Cisjordânia, Jordânia e Arábia Saudita.

Quinta-feira se reunirá com o presidente palestino Mahmud Abbas em Ramallah, Cisjordânia.

Barack Obama, disse na segunda-feira que seu enviado ao Oriente Médio, George Mitchell, se envolverá de forma "vigorosa" para conseguir um "progresso genuíno" para a paz na região.

Obama se reuniu com Mitchell e a secretária de Estado Hillary Clinton na Casa Branca pouco antes de Mitchell viajar para a região.

Sua missão "não é algo que possamos fazer da noite para o dia", advertiu. "Mas tenho plena confiança em que se os Estados Unidos estiverem envolvidos de maneira consistente, poderemos conseguir avanços genuínos", afirmou.

"É a hora de voltar à mesa de negociações", concluiu Obama.

O ex-senador americano George Mitchell, é reconhecido por seu talento de negociador, já posto em prática nessa região e, principalmente, na Irlanda do Norte.

Mitchell intermediou as negociações de paz no conflito norte-irlandês, que levou ao histórico acordo da Sexta-feira Santa, em 1998. Na época, era considerado um dos raros protagonistas desse processo de paz, beneficiando-se da confiança de todas as partes envolvidas.

Católico maronita, era, desde 1994, o conselheiro especial do presidente Bill Clinton para Assuntos Econômicos da Irlanda do Norte.

No livro "Making Peace", Mitchell relatou essa experiência, contando como os hábitos políticos locais durante as negociações colocaram seu talento de negociador à prova.

Em 2000, Mitchell foi encarregado de presidir a Comissão Internacional sobre o Oriente Médio, que levava seu nome, para encontrar meios de conseguir a paz entre palestinos e israelenses.

Em relatório divulgado em 2001, ele chamou as duas partes do conflito a adotarem medidas imediatas para pôr fim à violência, sem condições, mas as propostas não saíram do papel.

Caçula de cinco irmãos, George Mitchell nasceu em 20 de agosto de 1933, em Waterville, no estado do Maine (nordeste), em uma família católica de origem modesta, de pai irlandês e mãe libanesa.

Após trabalhar como caminhoneiro e vigia noturno para pagar os estudos de Direito, ele começou sua carreira como advogado, procurador e juiz. Depois, entrou para o Senado americano, onde permaneceu de 1980 a 1995. Dirigiu a maioria democrata no Senado de 1988 a 1994, nos governos George Bush pai e Bill Clinton.

Depois de abandonar a vida política, associou-se a um escritório de advogados e integrou os conselhos administrativos de vários grandes grupos, como o Walt Disney, de março de 2004 até final de dezembro de 2006.

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