Violência em referendo de Santa Cruz deixa um morto e mais de 35 feridos

Santa Cruz (Bolívia), 4 mai (EFE).- O referendo autonomista do departamento boliviano de Santa Cruz está sendo realizado hoje em meio a surtos de violência em zonas da região controladas pelo oficialismo, onde uma pessoa morreu e mais de 35 ficaram feridas.

EFE |

Os temidos atos de violência ocorreram durante a consulta dos habitantes de Santa Cruz, que foram às urnas para ratificar um estatuto autônomo que o Governo considera ilegal e separatista.

O próprio referendo foi organizado pelos dirigentes de Santa Cruz sem o aval da Corte Eleitoral Nacional, que o considera inconstitucional.

As localidades de San Julián, Yapacaní, Montero e Plan 3000, um bairro humilde da capital de Santa Cruz, todas com maioria favorável ao Movimento ao Socialismo (MAS, governista), foram o palco dos enfrentamentos entre governistas e autonomista.

Os choques continuam em Plan 3000, onde foi reportada a maior quantidade de feridos, que, segundo um último relatório divulgado pelo ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, subiu para 28.

Rada confirmou, além disso, que neste bairro foi registrado hoje o falecimento de Benjamín Ticona, de 68 anos, que vivia em uma casa localizada na zona onde ocorreram os enfrentamentos.

Segundo os vizinhos de Ticona, este faleceu por causa do gás lacrimogêneo. Rada, no entanto, disse que, de acordo com os relatórios preliminares, o homem sofria de uma "forte gripe", e por isso pediu um exame para esclarecer as causas da morte.

Na localidade de Montero, onde até o meio-dia cinco feridos tinham sido reportados, um deles por causa da explosão de um cartucho de dinamite, a quantidade de feridos aumentou para um número ainda não determinado, segundo declarou o ministro.

No povoado de San Julián, onde ontem à noite começaram bloqueios de estradas, fontes médicas confirmaram à Agência Efe que um seguidor de Morales ficou gravemente ferido ao cair de um ônibus que o atropelou causando danos a seus órgãos internos.

Também foram registrados feridos na localidade de Yapacaní, outro reduto dos sindicatos leais a Morales no qual o referendo foi suspenso porque camponeses atacaram os locais de votação.

Horas antes, Rada tinha informado que a Polícia detivera cerca de 40 pessoas durante os incidentes.

"Qualquer discurso que diga que hoje é um dia democrático, bem-sucedido, pacífico e tranqüilo padece de falsidade", denunciou o ministro, ao defender que, além do "clima de violência" vivido pela região, a votação é uma "fraude" pelas numerosas irregularidades detectadas.

Ele afirmou que foram encontradas cédulas com a opção do "sim" à autonomia marcada previamente, que algumas pessoas foram eliminadas do censo eleitoral e que outras foram pressionadas a votar.

Entretanto, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, responsabilizou os seguidores de Morales pelos incidentes e pelos enfrentamentos.

Costas pediu para que população de Santa Cruz "não se deixasse amedrontar", e que o caso fosse "desdramatizado" pois, segundo sua opinião, as irregularidades "não representam o denominador comum" do dia de votação, ao qual 935.959 habitantes de Santa Cruz foram convocados para decidir se querem aprovar um estatuto autonomista.

No centro de Santa Cruz de la Sierra, a capital da província, a manhã transcorreu sem incidentes e os cidadãos foram aos postos eleitorais votar com total normalidade.

As mesas de votação começaram ser fechadas às 16h no horário local (17h de Brasília), passadas as oito horas estabelecidas no Código Eleitoral da província.

Segundo explicaram à Agência Efe fontes da Corte Departamental Eleitoral, os centros abriram às 8h no horário local (9h de Brasília), mas foi dada uma margem de duas horas a mais para caso houvesse problemas na abertura, de modo que o momento do fechamento pode oscilar.

Enquanto isso, dezenas de milhares de seguidores de Morales se concentram em regiões cidades do país como La Paz, El Alto, Oruro e Cochabamba, para protestar contra o referendo autonomista e em defesa da união nacional. EFE sam-ja/bm/gs

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