Quatro crianças palestinas, com idades entre um e cinco anos, a mãe e um combatente morreram nesta segunda-feira em um ataque do Exército israelense em Beit Hanun, norte da Faixa de Gaza, onde grupos armados palestinos se preparam para viajar ao Cairo para discutir uma trégua com Israel.

Os quatro irmãos - Mussab Abu Maateq, um ano, Hana Abu Maateq, três, Rudeina Abu Maateq, quatro, e Saleh Abu Maateq, cinco - morreram na explosão de um obus em sua casa, segundo fontes do serviço de emergência do hospital Kamal Adwan, de Beit Lahya.

A mãe das crianças, Miassar Abu Maateq, de 40 anos, gravemente ferida no ataque, faleceu no hospital.

A sexta vítima é um combatente da Jihad Islâmica.

Os serviços de segurança palestinos registraram confrontos entre membros da Jihad Islâmica e o Exército hebreu na área de Beit Hanun, perto da fronteira entre o norte da Faixa de Gaza e Israel.

Segundo o pai das quatro crianças, os filhos estavam tomando café da manhã com a mãe em casa quando o obus explodiu contra a porta de entrada.

"Saí de casa um momento para buscar um de meus filhos e ouvi o barulho da explosão", declarou à AFP Ahmed Abu Maateq, de 70 anos.

"Minha mulher e meus filhos estavam tomando café da manhã. Quando voltei encontrei apenas os corpos".

O governo de Israel anunciou que investigará o "incidente trágico".

"O Hamas opera em zonas civis. Em situações de combates entre o Exército israelense e os terroristas do Hamas fazemos todo o possível para evitar que civis inocentes se encontrem entre os disparos", disse o porta-voz do governo, Mark Regev.

Em um comunicado, o Hamas, que controla Gaza desde junho de 2007, pede a seu braço armado e a outros grupos que "respondam a este crime e sigam se preparando para o enfrentamento e a defesa do povo palestino".

Em resposta, a Jihad Islâmica e o Hamas reivindicaram disparos de foguetes contra Israel. Pelo menos 13 projéteis foram lançados contra Israel.

O primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, condenou em um comunicado "o massacre que revela a verdadeira face do ocupante israelense criminoso e suas constantes tentativas de destruir os esforços regionais e internacionales para terminar com o bloqueio e cessar os ataques".

Haniyeh fazia referência aos atuais esforços egípcios para obter um acordo de trégua entre o Hamas e Israel.

Vários representantes de grupos palestinos viajarão ao Cairo para discutir com as autoridades egípcias uma proposta de Hamas para "aplacar" a situação, em troca de uma abertura das passagens de fronteira na Faixa Gaza, do fim das operações israelenses e da libertação dos prisioneiros.

O movimento radical Hamas propôs uma trégua de seis meses que começaria em Gaza e depois se estenderia a Cisjordânia.

Israel não deu crédito à proposta, enquanto a situação humanitária em Gaza se agrava em conseqüência da interrupção da distribuição de ajuda da ONU por falta de combustível.

sa-mel/fp

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