Violência e boicote ameaçam 2º turno presidencial na Libéria

Comparecimento de eleitores é baixo nas primeiras horas da votação que deve reeleger a presidenta vencedora do Nobel da Paz

iG São Paulo |

Sob tensão e com ameaça de um boicote da oposição, a Libéria realiza nesta terça-feira o segundo turno de sua eleição presidencial, em que a presidenta Ellen Johnson-Sirleaf, vencedora do Prêmio Nobel da Paz , deve ser reeleita por ampla margem.

A votação começou com baixo comparecimento às urnas. Queixando-se de parcialidade das autoridades eleitorais a favor da presidenta, o candidato da oposição, Winston Tubman, conclamou seus seguidores a boicotarem a votação .

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AFP
Funcionária espera por eleitores em local de votação em Monróvia, na Libéria

"Me sinto bem, exerci o meu direito", disse a estudante Bellevilley Armah, que votou no Colégio William Tubman - nome que homenageia um ex-presidente, tio do atual candidato da oposição. Questionada sobre a pouca presença de eleitores nas filas, Armah afirmou: "Talvez eles estejam com medo pelo que aconteceu ontem."

Na segunda-feira, integrantes do partido de oposição, o CDC, entraram em confronto com a polícia , em incidentes que deixaram pelo menos um morto.

Um policial foi preso por forças de paz da ONU após admitir o uso de munição real contra manifestantes, segundo o inspetor da polícia local.

A Anistia Internacional pediu uma investigação rigorosa sobre os confrontos da segunda-feira e recomendou calma a todos os liberianos.

Tubman, ex-embaixador liberiano na ONU, usou os incidentes para criticar Johnson-Sirleaf. "Isso mostra a vocês por que o povo liberiano está determinado a se livrar dessa líder. Ela é alguém que usa a violência contra pessoas pacíficas", afirmou.

As rádios King FM e Love FM - vistas como simpáticas a Tubman e a seu candidato a vice, o ex-jogador de futebol George Weah - foram fechadas durante a madrugada.

Paul Mulbah, gerente da Love, disse que policiais armados chegaram na hora do noticiário da rádio. "Eles colocaram um jornalista sob a mira de armas e o mandaram sair. Trouxeram uma liminar baseada em queixas do ministro da Justiça e do ministro das Comunicações", afirmou. "É lamentável, voltamos aos velhos tempos."

A segunda eleição democrática na história da Libéria serve como termômetro para os avanços políticos no país depois da guerra civil que terminou em 2003. Se bem-sucedida, ela pode atrair investimentos externos para ajudar a nação africana a desenvolver seus recursos naturais. Do contrário, pode prenunciar uma nova fase de instabilidade para a Libéria.

Com Reuters

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